O mercado financeiro observa com cautela os sinais de Brasília e o impacto direto nas taxas de juros. Ricardo Lacerda, CEO do banco BR Partners, traz uma visão realista sobre os grandes desafios que o Brasil enfrenta no momento.
Ele alerta que, sem um planejamento rigoroso e crível, o país corre o risco de enfrentar novamente fantasmas do passado, como a inflação. A credibilidade da política fiscal é o ponto central para evitar um retrocesso.
A discussão sobre o futuro governo já começou a movimentar a Faria Lima, com foco em propostas concretas para o desenvolvimento nacional e o controle da dívida, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios e urgência de um ajuste fiscal no Brasil
Do alto de seu escritório na Avenida Faria Lima, Ricardo Lacerda monitora o termômetro das empresas brasileiras. Para ele, o país vive um momento de incerteza que exige medidas sérias de ajuste fiscal no próximo mandato.
O banqueiro acredita que, independentemente de quem vencer as próximas eleições, a trajetória da dívida pública precisa ser revertida. Sem isso, a confiança dos investidores continuará abalada, prejudicando o cenário econômico.
Lacerda destaca que o Brasil possui um problema estrutural que se agrava a cada gestão. A combinação de déficit público com falta de credibilidade gera uma insegurança jurídica que afasta o capital necessário para o crescimento.
O risco dos juros altos e o abismo econômico
Um dos pontos mais críticos abordados pelo CEO é o patamar elevado da taxa Selic. Manter juros em dois dígitos por tempo indeterminado pode levar a uma quebra generalizada de empresas e comprometer seriamente o futuro do país.
“Se a gente não tiver uma forma de reduzir os juros no Brasil, a gente vai caminhar para o abismo, vamos começar a ter discussões sobre calote na dívida pública”, afirmou Lacerda sobre a atual situação do cenário econômico.
Ele reforça que o grande calcanhar de Aquiles da gestão atual é justamente a necessidade de governar com taxas tão elevadas. Isso coloca a economia em risco constante e impede a retomada sustentável dos investimentos produtivos.
Apoio a Ronaldo Caiado e a busca pela terceira via
Pela primeira vez, Ricardo Lacerda manifesta apoio explícito a um candidato, acompanhando o governador Ronaldo Caiado em agendas com o setor financeiro. Ele vê no político uma alternativa viável para romper a polarização nacional.
Para o executivo, o eleitor de centro está cansado das disputas ideológicas e busca soluções práticas para o dia a dia. Caiado, com sua experiência executiva, seria capaz de apresentar um plano de ajuste fiscal que o mercado deseja.
O banqueiro acredita que uma candidatura de terceira via pode ganhar força rapidamente. Ele cita exemplos históricos onde candidatos que começaram com poucos pontos nas pesquisas surpreenderam e chegaram competitivos ao pleito final.
Críticas à polarização e segurança jurídica
Lacerda não poupa críticas aos temas que dominam o debate político atual. Ele considera que discussões sobre urnas eletrônicas ou vacinas são uma palhaçada e não contribuem para resolver os problemas reais da população brasileira.
“Discutir se Estados Unidos vão invadir o Brasil ou não, esse tipo de coisa é de gente que não tem proposta e não quer o bem do País”, enfatizou. O foco deveria ser o combate à miséria e a melhoria da segurança pública.
Além disso, o CEO aponta uma deterioração no Judiciário brasileiro, o que reflete no custo da dívida. Para ele, restabelecer a ordem e a segurança jurídica é fundamental para gerar interesse internacional e novas oportunidades locais.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a entrevista completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






