O agravamento da crise climática tem transformado projeções abstratas em dramas reais para a economia global, com eventos extremos ocorrendo em diversas partes do planeta.

Recentemente, tragédias no Nepal e distorções climáticas no Rio Grande do Sul, somadas à ameaça de um El Niño severo, acenderam o alerta sobre a instabilidade dos preços de alimentos.

Enquanto o mundo busca soluções, o setor de transporte marítimo enfrenta um impasse regulatório que pode afetar o comércio internacional, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio da descarbonização em meio ao El Niño

O impasse regulatório no transporte marítimo

O transporte marítimo é a espinha dorsal do comércio mundial, sendo responsável por movimentar mais de 80% das mercadorias, mas sua pegada de carbono continua a crescer rapidamente.

Diferente da aviação, que já possui consensos sobre combustíveis sustentáveis, o setor marítimo vive um impasse na Organização Marítima Internacional para definir regras globais de emissões.

A proposta atual busca criar padrões de intensidade de carbono e mecanismos de precificação para grandes embarcações, que respondem pela maior parte do CO2 emitido pela frota mundial.

O papel dos Estados Unidos e a fragmentação das regras

As negociações na OMI foram bloqueadas pelos Estados Unidos, que classificam as medidas como um “imposto global sobre o carbono”, alegando proteção aos seus consumidores e exportadores.

Essa obstrução diplomática, que contou com o apoio de países como a Argentina, acabou adiando votações cruciais e paralisando a aprovação de um modelo regulatório unificado.

Sem uma regra global, surgem iniciativas regionais, como as da União Europeia, criando um mosaico de obrigações que eleva a incerteza jurídica e desestimula investimentos em longo prazo.

Oportunidades para o Brasil na nova economia verde

Diante desse cenário, o Brasil surge como uma potência bioenergética capaz de liderar o fornecimento de combustíveis sustentáveis como biodiesel, etanol e o promissor hidrogênio verde.

A produção nacional pode oferecer soluções reais para a descarbonização dos grandes corredores marítimos, transformando um desafio ambiental em uma vantagem competitiva estratégica para o país.

Para isso, é fundamental que o país atue de forma pragmática nos fóruns internacionais, defendendo padrões previsíveis que garantam a competitividade das exportações brasileiras no mercado global.

A fonte original é o Estadão.

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