O setor da construção civil vive um dilema histórico no Brasil, enfrentando o envelhecimento de seus profissionais e a dificuldade de atrair novos talentos da Geração Z para os canteiros de obras.

Para reverter esse cenário de escassez, entidades do setor lançaram um projeto inovador que promete transformar a imagem das profissões tradicionais e oferecer caminhos claros de crescimento salarial.

A iniciativa foca em tecnologia e na valorização do trabalhador, mudando nomes de cargos para torná-los mais atraentes aos jovens profissionais, conforme divulgado pelo Estadão.

Setor busca vencer o desinteresse da Geração Z com novas nomenclaturas e tecnologia

Hoje, a idade média dos operários é de 42 anos. Jovens preferem tecnologia ou aplicativos de transporte pela autonomia, deixando um déficit de mais de 100 mil vagas abertas apenas no Estado de São Paulo.

O projeto Trilhas de Carreiras Profissionais, uma parceria entre o Sinduscon-SP, Senai e Sintracon-SP, surge como uma resposta estratégica para qualificar trabalhadores dentro das próprias obras.

“Esse é o projeto mais revolucionário para atrair mão de obra para construção civil”, afirma Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP, destacando a necessidade de inovação no canteiro.

A mudança estratégica nas nomenclaturas de funções

A ideia é dignificar o trabalho por meio de novos nomes. O tradicional servente de pedreiro, cargo com maior carência atualmente, passa a ser designado oficialmente como auxiliar de produção.

Outras funções também foram repaginadas: o carpinteiro agora é instalador de formas, o gesseiro vira instalador de sistema a seco e o encanador passa a ser chamado de instalador hidráulico.

“A mudança de nomenclatura dos cargos é para dignificar o trabalho do cara e dizer: você não é mais um servente, você agora é um auxiliar de produção”, explica David Fratel, do Sinduscon-SP.

Plano de carreira com ganhos que podem superar R$ 20 mil

O projeto estruturou a evolução profissional em sete degraus. A jornada começa no nível de auxiliar e pode chegar até o cargo de mestre de obras sênior, com grande valorização financeira.

Enquanto o salário inicial de um auxiliar gira em torno de R$ 2,4 mil, um mestre de obra qualificado pode receber entre R$ 20 mil e R$ 22 mil, patamar que compete com muitas carreiras corporativas.

Lucas Novais, de 22 anos, é um exemplo desse sucesso. Ele começou como auxiliar de almoxarife e já foi promovido, com aumento salarial de 33%, preferindo a carteira assinada pela segurança dos benefícios.

Industrialização como isca para os novos talentos

O setor quer mostrar que a construção moderna está se dissociando do esforço físico extremo. A meta é atingir 100% de industrialização em dez anos, trocando o trabalho manual por montagem técnica.

Com o uso de métodos industrializados, como fachadas pré-fabricadas, o ambiente de trabalho se torna mais tecnológico, o que tende a atrair jovens que buscam inovação e menor desgaste físico diário.

O projeto piloto começa com 10 construtoras e 20 empreiteiras em São Paulo, servindo de modelo para que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção replique a iniciativa por todo o território nacional.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | Construção quer virar o jogo da falta de trabalhador atraindo Geração Z com carreira e salário.

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