Desafios regulatórios e o custo dos medicamentos inovadores

Há anos as operadoras de planos de saúde procuram um culpado para o aumento de seus custos. Já foram os hospitais, os médicos, a judicialização e o envelhecimento da população brasileira.

Agora, a conta recai sobre os medicamentos inovadores. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu transformar essa narrativa em uma nova política regulatória para o setor de saúde.

A proposta condiciona a incorporação de remédios à concessão de descontos pela indústria, alterando a lista oficial de preços do país, conforme divulgado pelo Estadão.

O diagnóstico equivocado dos custos

O estudo recente intitulado Saúde Suplementar em Transição mostra que os medicamentos inovadores representam apenas 7% das despesas assistenciais das operadoras por beneficiário em 2024.

No mesmo período, as fraudes e sobreutilizações consumiram cerca de R$ 52,5 bilhões. Esse montante é maior do que o setor inteiro gastou com remédios, revelando onde está o real desperdício de recursos.

Queda na inovação e lucros bilionários

A incorporação de novas moléculas ao Rol de procedimentos caiu de 18,5 por ano no ciclo anterior para apenas sete por ano atualmente, contrariando a tese de uma enxurrada de inovações caras no setor.

Até o ano de 2029, cerca de R$ 9 bilhões em receitas perderão exclusividade, abrindo espaço para genéricos. Enquanto isso, as operadoras de planos de saúde seguem registrando lucros bilionários.

Conflito de competências e o papel da ANS

A Lei n.º 10.742 atribui à Cmed a competência para regular preços. A ANS pode decidir sobre a incorporação no Rol, mas não deve interferir diretamente na política nacional de preços de remédios novos.

“Quando uma agência invade a competência de outra e ouve com mais atenção quem administra os planos do que quem precisa do tratamento, quem perde não é a indústria. É o paciente”, afirma a publicação.

A fonte original é o Estadão e o conteúdo completo pode ser acessado em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
Ala petista defende Alckmin no Ministério da Fazenda na tentativa de atrair o centro

Alckmin na Fazenda? Entenda a jogada de Lula para bater Flávio Bolsonaro e conquistar o centro agora!

Campanha petista discute o nome de Geraldo Alckmin para a Fazenda como forma de atrair o eleitorado moderado.
Bradesco faz maior IPO reverso do Brasil e leva toda área de saúde para B3 com Odontoprev; entenda

Bradesco faz maior IPO reverso do Brasil e leva toda área de saúde para B3 com Odontoprev; entenda

O Bradesco vai conseguir levar à B3 toda sua área de saúde…
Assistente de IA e nuvem viram atrativos das teles para fisgar consumidor

IA nos planos de internet: descubra como ganhar acesso grátis ao ChatGPT e Gemini nas operadoras!

Vivo, Claro e TIM apostam em Inteligência Artificial e armazenamento em nuvem para fisgar novos clientes e aumentar o faturamento no Brasil.
Tesouro mantém nota C para o Distrito Federal, impedindo garantia da União para socorrer BRB

Tesouro Nacional mantém nota C para o Distrito Federal e trava socorro bilionário ao BRB; entenda

Decisão do Tesouro Nacional impede que a União seja avalista de empréstimo de R$ 6,6 bilhões e afeta diretamente as contas do DF.