O clima entre o Canadá e os Estados Unidos atingiu o ponto de ebulição após o colapso das negociações comerciais em Washington. A relação, historicamente próxima, enfrenta uma ruptura sem precedentes.
O primeiro-ministro Mark Carney subiu o tom e afirmou categoricamente que o país vizinho agiu como um agressor econômico. Ele destacou que não aceitará imposições que prejudiquem a soberania nacional.
Em um pronunciamento contundente de 22 minutos, Carney declarou que o Canadá está em guerra comercial e prometeu revidar cada medida protecionista americana, conforme divulgado pelo Estadão.
Crise diplomática: O fim da parceria comercial entre Canadá e Estados Unidos?
Na manhã seguinte à retirada dos negociadores, Carney classificou a proposta de Donald Trump como “um acordo ruim”. Ele alertou que a confiança na assinatura americana agora é limitada.
“Reconhecemos desde o início que os Estados Unidos mudaram”, disse ele em discurso neste sábado. “Reconhecemos que, às vezes, sua assinatura é feita a lápis”, completou o primeiro-ministro.
Para o líder canadense, as tarifas punitivas são um ataque direto. “Você está em guerra quando é atacado, e nós fomos atacados”, afirmou Carney, nomeando explicitamente os EUA como uma ameaça global.
Ataques à soberania e cultura canadense
O colapso das conversas ocorreu por exigências de última hora que Carney considerou injustas. Segundo ele, os americanos tentaram interferir em políticas internas de cultura e idioma do país.
Os negociadores dos EUA pressionaram para que o Canadá recuasse nos subsídios ao cinema e na obrigatoriedade de rótulos em francês. Tais exigências foram vistas como uma afronta à identidade nacional.
“Estávamos perto de chegar a um acordo abrangente, mas eles fizeram mudanças, incluindo ameaças à língua e à cultura francesas, que nunca seriam aceitáveis”, explicou Carney em seu pronunciamento.
Impacto econômico e perda de milhares de empregos
As novas tarifas americanas de 50% atingem setores como aço, alumínio e construção. Especialistas alertam que o impacto na economia canadense será profundo e imediato para diversas empresas.
O economista Trevor Tombe estima que as medidas de Trump podem custar mais de 90 mil empregos no Canadá. Itens como papel higiênico e mel estão entre os produtos mais afetados pela nova rodada.
Para mitigar os danos, o governo canadense prometeu um auxílio de 25 bilhões de dólares locais. O objetivo é dar fôlego financeiro às pequenas e médias empresas que dependem das exportações.
Retaliação estratégica e o futuro da energia
O Canadá anunciou que sua resposta entrará em vigor no dia 8 de setembro. A retaliação focará em produtos como laticínios, eletrodomésticos e equipamentos agrícolas vindos do território americano.
Há uma pressão crescente para que Carney use o fornecimento de petróleo e gás como arma. Embora cauteloso, o premiê lembrou que os EUA dependem fortemente da energia canadense para funcionar.
O acordo de livre comércio entre os países parece estar por um fio. Carney concluiu afirmando que as ações de Trump violam o pacto diariamente, tornando o futuro da integração econômica incerto e sombrio.
A fonte original desta notícia é o Estadão e o conteúdo completo pode ser lido em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







