O cenário econômico internacional está sob forte tensão. O governo dos Estados Unidos estabeleceu um prazo decisivo para negociar taxas que podem mudar o rumo do comércio na América do Norte.
Caso um consenso não seja atingido, a promessa é de uma retaliação severa que afetará diversos setores industriais e o bolso dos consumidores, gerando incertezas em mercados globais de exportação.
O impasse envolve bilhões de dólares e uma legislação histórica raramente utilizada em tempos modernos para pressionar aliados estratégicos, conforme divulgado pelo Estadão.
As negociações intensas para barrar as novas tarifas de Trump
Os Estados Unidos e o Canadá estão em uma corrida contra o relógio para selar um acordo comercial. O presidente Donald Trump fixou o prazo final para o início desta quarta-feira, dia 19.
Caso as conversas fracassem, as tarifas de Trump podem chegar a 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses. O impacto atingiria desde equipamentos médicos até artigos esportivos populares.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que as tratativas são intensas e delicadas. Segundo ele, “Este não é o momento de falar sobre as negociações em público”, reforçando o sigilo do processo.
O uso da polêmica Lei Smoot-Hawley
Para viabilizar as tarifas de Trump, o governo americano invocou a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. Essa norma, conhecida como Smoot-Hawley, é associada pelos historiadores ao agravamento da Grande Depressão.
Essa ferramenta autoriza o presidente a tributar países que supostamente discriminam empresas dos EUA. Trump alega que o Canadá impõe barreiras injustas contra produtos como queijos, laticínios e bebidas alcoólicas americanas.
Diferente de outras leis comerciais, a Seção 338 não exige investigações longas. Ela permite a aplicação imediata de taxas pesadas, servindo como uma poderosa alavanca de pressão política nas mãos da Casa Branca.
As exigências dos Estados Unidos no novo pacto
O objetivo central de Washington é garantir que o Canadá aumente seus gastos militares. Os EUA querem que o vizinho compre caças F-35 e integre o sistema de defesa antimísseis chamado de Golden Dome.
Além da área de defesa, os americanos buscam maior acesso aos minerais essenciais canadenses. Essa estratégia visa reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação aos suprimentos provenientes da China, sua principal rival econômica.
Em troca, os negociadores canadenses tentam obter isenções para produtos fundamentais, como aço, alumínio e madeira macia. Atualmente, esses setores já enfrentam barreiras que dificultam o fluxo comercial entre os dois países.
Pressão política e riscos para o consumo
Especialistas alertam que as tarifas de Trump podem ser repassadas aos consumidores americanos. Com o custo de vida elevado, a imposição de novos impostos de importação poderia gerar uma reação negativa entre os eleitores.
No Canadá, a opinião pública pressiona o governo para não ceder totalmente. Segundo o professor Daniel Béland, o risco é que o país pareça fraco e vulnerável a futuras pressões geopolíticas vindas de Washington.
A fonte original desta notícia é o Estadão.







