A Thopen Energy, uma das maiores comercializadoras de energia renovável do Brasil, entrou oficialmente com um pedido de recuperação judicial. A medida ocorre em meio a uma crise de liquidez severa.
A dívida declarada pela companhia alcança a marca impressionante de R$ 4,5 bilhões, contrastando com as projeções feitas há apenas dois meses, quando a diretoria previa faturar alto nos próximos anos.
O processo revela uma disputa intensa entre os atuais controladores e os antigos donos, envolvendo acusações de má gestão e suposto desvio de recursos, conforme divulgado pelo Estadão.
A crise financeira da Thopen Energy e o pedido de recuperação judicial
A Thopen Energy opera usinas de energia solar, biogás e hidrelétricas em 18 estados brasileiros. O pedido de proteção judicial foi protocolado na 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro recentemente.
Segundo a empresa, a situação é fruto de um quadro agudo de escassez de liquidez, agravado por decisões estratégicas tomadas por gestões anteriores que não geraram o retorno esperado no prazo necessário.
A companhia ressaltou que a recuperação judicial é uma ferramenta para reorganização financeira. O objetivo é criar um ambiente estável para negociar com credores enquanto mantém as operações normais.
Acusações de desvio e falta de transparência
A atual controladora, a gestora inglesa Denham Capital via holding Pontal, acusa os antigos donos de omitirem a real situação financeira da empresa durante o processo de venda do controle acionário do grupo.
Existe uma acusação específica de que R$ 300 milhões, aportados para novos projetos, foram desviados para pagar dívidas antigas. Os ex-controladores, representados pelo Grupo RZK, negam as alegações.
O Grupo RZK afirma que a venda foi precedida por auditorias rigorosas de instituições como KPMG e Banco Safra. Segundo eles, os atuais gestores tinham pleno acesso a todos os dados financeiros antes do negócio.
O impacto nos grandes credores e no mercado
Entre os principais credores da Thopen Energy estão nomes de peso do mercado financeiro, como as gestoras XP e Kinea, além do Banco do Nordeste (BNB), com valores que impactam o setor.
A XP possui cerca de R$ 184 milhões a receber, dívida apontada como o estopim para a crise. Já a Kinea emprestou R$ 400 milhões via debêntures, com quase R$ 94 milhões ainda pendentes de pagamento imediato.
O BNB, um dos financiadores mais antigos da operação, informou que está avaliando as medidas administrativas e legais cabíveis diante do novo cenário jurídico e financeiro apresentado pela comercializadora.
Polêmica jurídica sobre a estrutura do grupo
A recuperação judicial enfrenta resistências jurídicas. Credores como a Kinea questionam a formação do grupo Pontal, alegando que os riscos de cada projeto deveriam ser tratados de forma isolada no processo.
Os antigos controladores também contestam o pedido, afirmando que 90% da dívida é extraconcursal e possui garantias reais. Para eles, a medida pode disparar gatilhos de vencimento antecipado de outros contratos.
Apesar do turbilhão jurídico, a Thopen afirma que seus compromissos com clientes e colaboradores seguem inalterados. A empresa foca agora em reestruturar seu passivo bilionário para garantir a sobrevivência.
A fonte original é o Estadão e a matéria completa pode ser lida no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo





