Alcançar o topo da pirâmide corporativa no Brasil é uma jornada complexa, especialmente para mulheres negras, que ainda enfrentam um teto de vidro resistente nas grandes empresas nacionais.
Mesmo com forte presença na base das organizações, o caminho até a diretoria exige não apenas competência técnica, mas uma dose extra de coragem, estratégia e o apoio de redes sólidas.
Recentemente, dez líderes de diversos setores revelaram os segredos e as superações que permitiram que elas ocupassem espaços de decisão antes tidos como inalcançáveis, conforme divulgado pelo Estadão.
Estratégias e barreiras das executivas negras no Brasil
Um levantamento do Movimento pela Equidade Racial (Mover), realizado em 2025, expõe o tamanho do desafio: profissionais negras ocupam 25% das vagas de entrada, mas apenas 3% das cadeiras executivas.
Para as mulheres não negras, o cenário é diferente, elas ocupam 24% das funções iniciais e chegam a 16% da liderança. Esse percentual é cinco vezes maior que o de mulheres negras nos mesmos cargos.
Natália Paiva, CEO do Mover, afirma que as trajetórias são atravessadas por barreiras estruturais que dificultam o acesso a oportunidades, à visibilidade e aos espaços de decisão das profissionais.
O impacto do preparo técnico e da educação
A educação é citada como o alicerce principal por nomes como Roberta Anchieta, do Itaú Unibanco. Para ela, o apoio familiar e o foco nos estudos foram cruciais para vencer a falta de referências.
Já Luana Ozemela, vice-presidente do iFood, reforça que investiu de forma intencional nas competências certas. Ela buscou bolsas e experiências internacionais para fortalecer sua visão estratégica.
Networking e a importância de aliados no topo
Rachel Maia, conselheira da Petrobras e da Vale, enfatiza que ninguém constrói uma trajetória relevante sozinho. O apoio de líderes e aliados que enxergam o talento é vital para transformar organizações.
Ela destaca que sua responsabilidade sempre foi honrar essa confiança com trabalho e ética, unindo preparo individual à coragem necessária para abrir portas em ambientes tradicionalmente fechados.
Inteligência emocional e enfrentamento do sistema
Para Kátia Regina, diretora global da Nestlé, a reação aos obstáculos foi o grande diferencial. Ela escolheu encarar o racismo e o machismo como sinais de estruturas que precisavam ser questionadas.
Ela afirma: “Não se trata de ignorar as dificuldades, mas de não permitir que elas determinem o ritmo ou o alcance da minha trajetória”. Kátia destaca que buscou se posicionar com clareza e intenção.
Liderança coletiva e criação de novos espaços
Adriana Barbosa, da Feira Preta, e Luana Génot, do ID_BR, mostram que, por vezes, é preciso criar o próprio caminho. Adriana transformou a ausência de espaço em um projeto de mercado inovador.
Jandaraci Araújo, do Conselheira 101, complementa que talento e trabalho nem sempre bastam sozinhos. É preciso investir em networking e contar com padrinhos que defendam sua competência no topo.
A fonte original desta notícia é o Estadão e a matéria completa pode ser lida em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






