Os detentores de títulos da Braskem no exterior estão intensificando a pressão para que a Petrobras assuma um papel central nas negociações de sua dívida bilionária, sem intermediários.

A insatisfação cresce à medida que o prazo final para um acordo de recuperação extrajudicial se aproxima, com a data limite para o fechamento do plano marcada para meados de agosto.

Os investidores buscam garantias financeiras e um rosto familiar da acionista de referência nas conversas para destravar o processo, conforme divulgado pelo Estadão.

Recuperação extrajudicial da Braskem gera tensão entre credores e acionistas

A Braskem está em uma corrida contra o tempo para estruturar seu plano de reestruturação. Os detentores de títulos internacionais, conhecidos como bondholders, manifestaram forte descontentamento.

Eles acreditam que a Petrobras, como acionista de referência há décadas, deve participar diretamente das conversas. O grupo de credores inclui grandes bancos, seguradoras e gestoras globais.

A dívida bruta em renegociação alcança a cifra de US$ 9,4 bilhões. Os investidores temem que a ausência da estatal na mesa enfraqueça as garantias de pagamento e a viabilidade do negócio.

Exigência de diálogo direto e frustração com a IG4

Até o momento, as negociações são lideradas por executivos financeiros indicados pela IG4 Capital. No entanto, os credores apontam que a gestora não possui recursos próprios para aportes.

Diferente da Petrobras, a IG4 é vista como uma figura secundária nessa equação. Os credores classificaram a proposta de junho como insatisfatória e buscam uma divisão de ônus mais equilibrada.

Em documentos públicos, os bondholders afirmaram que, para haver engajamento, é necessária uma discussão racional que envolva as reais necessidades da companhia e dos acionistas.

O impasse sobre a conversão de dívida em ações

Entre as soluções propostas pelos credores, destaca-se a conversão de dívida em ações da Braskem. Esse caminho é comum em renegociações dessa magnitude, mas enfrenta resistência interna.

Tanto a Petrobras quanto a IG4 mostram-se reticentes quanto a essa troca. Os credores reforçam que não aceitarão extensões de vencimento que considerem desnecessárias para a liquidez.

A companhia já obteve uma medida cautelar na Justiça que suspende vencimentos de dívidas por 60 dias. Esse prazo coloca ainda mais pressão sobre o cronograma decisivo de agosto.

Barreiras de governança nas negociações bilionárias

Fontes próximas à Braskem argumentam que o desejo dos credores de negociar com a Petrobras é natural. Contudo, a estrutura de governança atual impede que esse contato ocorra facilmente.

Os representantes levam para a mesa posições já discutidas no Conselho de Administração. Vale ressaltar que o conselho é presidido por Magda Chambriard, atual CEO da petroleira estatal.

Assessores financeiros intermedeiam as conversas diárias entre as partes interessadas. Nesse cenário, contatos diretos entre acionistas e credores poderiam ser interpretados como indevidos.

A fonte original é o Estadão.

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