O setor agropecuário brasileiro vive um momento de alerta máximo após ser retirado da lista de fornecedores de produtos de origem animal da União Europeia, o que pode gerar prejuízos bilionários.
A medida, que atinge itens como mel, ovos e carnes, traz cenários distintos para os produtores. Enquanto o setor de aves espera uma solução rápida, a pecuária bovina enfrenta um caminho bem mais longo.
Autoridades e exportadores buscam agora ajustar os protocolos sanitários para cumprir as exigências europeias e garantir o retorno ao mercado internacional, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios da exportação de carne bovina e novas regras da União Europeia
A exclusão do Brasil da lista de fornecedores oficiais entra em vigor no dia 3 de setembro. O governo brasileiro e os exportadores admitem que não há espaço para uma reversão imediata da decisão.
O foco das discussões técnicas está no controle de antimicrobianos. A União Europeia exige garantias de que os produtos exportados não utilizem certas substâncias como promotores de crescimento nos animais.
Para a carne de aves, o cenário é mais otimista. Como o ciclo de vida do frango é curto, cerca de 40 dias, o governo espera que os novos protocolos sejam validados pela Europa já em meados de agosto.
Impacto na pecuária e o ciclo de vida animal
Diferente das aves, a exportação de carne bovina enfrenta um entrave crítico devido ao longo ciclo de produção da cadeia, que pode levar de 24 a 36 meses para ser concluído totalmente.
Representantes do setor afirmam que a União Europeia sinalizou que só fará uma nova avaliação após a conclusão de um ciclo completo, o que pode manter o Brasil fora do mercado europeu até 2027.
A indústria de carnes teme os prejuízos, já que o mercado europeu é conhecido pelas melhores remunerações. O Brasil exporta anualmente cerca de US$ 1,8 bilhão em proteínas para o bloco europeu.
Novos protocolos do Ministério da Agricultura
Desde o dia 1º de julho, o Ministério da Agricultura implementou novos procedimentos para o controle de antimicrobianos. Essas normas buscam atender rigorosamente às exigências do regulamento europeu.
As regras estabelecem um controle rígido durante toda a vida do animal. Produtores e indústrias precisam assegurar a segregação da produção e comprovar que não utilizam os produtos proibidos.
O governo brasileiro já apresentou esses novos protocolos à Direção Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia, mas o processo de validação técnica ainda depende de vistorias e análises.
Expectativas para as próximas reuniões comerciais
O Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) se reúne periodicamente para tratar das condições de importação. O Brasil espera pautar sua reinclusão em encontros extraordinários.
A estratégia diplomática agora é focar na rastreabilidade e fiscalização para provar que o sistema brasileiro é capaz de atestar a segurança sanitária exigida pelos países membros do bloco europeu.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







