Os imponentes prédios de Detroit, construídos no auge da indústria automotiva, ainda lembram o domínio histórico dos Estados Unidos. Porém, o cenário global mudou drasticamente e a China agora lidera a inovação tecnológica.

As montadoras americanas, conhecidas como as Três Grandes, focam em picapes e SUVs a gasolina por serem modelos altamente lucrativos. No entanto, essa escolha pode isolá-las em um mercado que caminha para a eletrificação.

O governo americano tenta conter a invasão chinesa com altas tarifas de importação, mas o atraso tecnológico continua sendo uma ameaça real para empresas como GM e Ford, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio das montadoras frente aos carros elétricos

O declínio das gigantes de Detroit

A hegemonia americana na fabricação de automóveis está diminuindo. Em 1950, três quartos dos carros do mundo eram fabricados nos Estados Unidos, hoje, o volume representa pouco mais de um oitavo da produção global.

A GM, que já foi a maior fabricante do mundo com 8,4 milhões de veículos vendidos em 2004, caiu para a quarta posição no ano passado. A Ford também perdeu espaço, recuando do terceiro para o sétimo lugar.

Mesmo dentro dos Estados Unidos, a participação das Três Grandes encolheu de 90% em 1965 para cerca de 40%. A Stellantis, por exemplo, vendeu menos da metade do total de veículos que comercializava há duas décadas.

Protecionismo e o risco da estagnação

Para proteger a indústria local, o governo de Joe Biden impôs tarifas de 100% sobre os carros elétricos chineses. Esse bloqueio permite que Detroit continue focando em veículos a combustão, que os americanos ainda adoram.

No entanto, essa segurança pode ser ilusória. Ao depender da gasolina atrás de barreiras protecionistas, as montadoras americanas correm o risco de ficar para trás da concorrência, principalmente da China, em um setor que será dominado por elétricos.

Donald Trump também sugeriu que montadoras chinesas poderiam construir fábricas nos EUA para gerar empregos. Para o presidente da Ford, Jim Farley, admitir a entrada direta desses concorrentes seria algo considerado devastador.

A estratégia chinesa para entrar nos EUA

Os fabricantes chineses são pacientes e já cercam o mercado americano. A BYD e a Geely estão de olho em fábricas no México, onde as importações da China já conquistaram rapidamente 15% do mercado automobilístico local.

Além disso, a Geely já possui presença nos Estados Unidos por ser dona da Volvo. Ela poderia utilizar sua fábrica na Carolina do Sul para produzir veículos de suas marcas chinesas, como a Zeekr e a Lynk&Co, driblando barreiras.

A montadora estatal Chery também afirmou que lançará seus produtos em um momento oportuno. O consenso entre especialistas é que, com ou sem tarifas, é apenas uma questão de tempo até que os chineses dominem o setor.

O futuro da eletrificação americana

Apesar dos desafios, as montadoras americanas não pararam totalmente os investimentos. A Ford trabalha em uma nova plataforma para carros elétricos compactos, com previsão de lançar uma picape de US$ 30 mil em 2027.

Na GM, o desenvolvimento de baterias com novas composições químicas continua avançando em centros tecnológicos. O objetivo é reduzir drasticamente os custos de produção para competir de igual para igual com os modelos asiáticos.

A Stellantis também reforça que a Europa serve como um laboratório para seus elétricos. De uma forma ou de outra, a concorrência está chegando e as gigantes de Detroit terão muito trabalho para manter sua antiga grandeza.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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