A posição de conselheiro representa o topo da carreira corporativa para muitos, mas as recompensas financeiras variam bastante conforme o perfil. Atualmente, uma parcela de 17,6% desses profissionais no país já recebe mais de R$ 541 mil por ano.

Esses valores mostram a alta valorização de quem possui o conhecimento estratégico necessário para guiar grandes organizações. No entanto, o acesso a essas cadeiras bem remuneradas ainda segue critérios bastante rígidos e específicos de mercado.

O estudo recente revela que a combinação de experiência prática no alto escalão e formações específicas em governança é a chave para alcançar esses rendimentos, conforme divulgado pelo Estadão.

Como funciona a remuneração de conselheiros no Brasil e quem são os mais valorizados

De acordo com o levantamento da consultoria Exec, os profissionais com alta remuneração apresentam características muito claras. Cerca de 38% dos que ganham acima de meio milhão participam de mais de quatro colegiados, o que eleva os ganhos totais.

Para os conselheiros consultivos, os valores são mais modestos, com apenas 3,1% recebendo acima de R$ 500 mil anuais. Na média geral, 50,1% dos conselheiros de administração declaram receber até R$ 240 mil por ano em cada conselho que participam.

A presidente do Conselho do Magazine Luiza, Luiza Trajano, reforça que o papel do conselho é vital para a sobrevivência do negócio. Segundo ela, inovação é o motor das empresas, enquanto a venda atua como o combustível necessário para o movimento.

O perfil técnico exigido pelo mercado

O estudo mapeou que 93,4% dos conselheiros mais bem pagos já foram ou ainda são CEOs de empresas. Além disso, 75% deles já ocuparam a presidência de conselhos anteriormente, o que demonstra a importância da experiência prévia no cargo.

A formação acadêmica também é um diferencial pesado. Oito em cada dez desses profissionais possuem cursos voltados para a função. No total, 92% dos entrevistados têm alguma especialização em governança corporativa, muitos com certificados internacionais.

Thais Nather, diretora da Exec, afirma que a questão técnica conta muito, mas a experiência setorial é decisiva. Trazer alguém que já vivenciou a estratégia planejada pela companhia é um fator altamente valorizado pelos acionistas hoje em dia.

Falta de diversidade e riscos do networking

Apesar dos altos salários, a diversidade nos conselhos ainda é um ponto crítico. Os homens ocupam 80% das vagas de alta remuneração. A maioria pertence à geração baby boomer, com idades entre 55 e 75 anos, e apenas 6,7% se identificam como pretos ou pardos.

Outro alerta é a forma de seleção. Metade dos conselheiros conseguiu a vaga por indicação direta, sem passar por processos seletivos formais. Isso pode gerar o que especialistas chamam de excesso de consenso, prejudicando a independência das decisões.

Como aponta Thais Nather, conselhos formados puramente por networking dos próprios integrantes acabam sendo espaços onde o consenso excessivo gera risco decisório. É necessária uma seleção estruturada, similar à contratação de um executivo de alto escalão.

O perigo do acúmulo de cargos

O estudo também chama a atenção para o overboarding, que acontece quando uma pessoa ocupa cadeiras em excesso em diferentes empresas. Apenas um terço dos entrevistados atua em apenas um ou dois conselhos, o que pode comprometer a dedicação necessária.

Além da competência técnica, habilidades comportamentais como a capacidade de escuta e a habilidade política são fundamentais. Esses perfis tornam-se pessoas de confiança dos acionistas, o que naturalmente os leva às posições com melhores salários.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | Qual é o perfil dos conselheiros que recebem acima de meio milhão no Brasil.

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