A Receita Federal iniciou uma das maiores ofensivas contra o crime organizado, focando em instituições financeiras digitais que serviam como suporte para atividades ilícitas.

A ação, batizada de Operação Fluxo Oculto, revela detalhes assustadores sobre como bilhões de reais circulavam livremente por meio de fintechs ligadas ao PCC.

O esquema envolvia fraude em combustíveis e lavagem de dinheiro em cinco estados brasileiros, conforme divulgado pelo Estadão.

Operação Fluxo Oculto revela banco paralelo do crime

A investigação identificou seis fintechs que atuavam como verdadeiros bancos paralelos para uma organização criminosa. Entre 2022 e 2025, o grupo movimentou R$ 26 bilhões.

As empresas eram utilizadas para ocultar recursos ilícitos, realizar blindagem patrimonial e sonegar impostos de forma sistemática no lucrativo setor de combustíveis.

Segundo a Receita Federal, o objetivo é aprofundar a apuração sobre fraudes fiscais e ampliar o bloqueio financeiro da quadrilha, que usa métodos sofisticados de lavagem.

O papel das fintechs na lavagem de dinheiro

As instituições financeiras digitais funcionavam como um núcleo de compensação interna entre postos de gasolina, distribuidoras e diversos fundos de investimento do grupo.

Apenas uma das empresas investigadas recebeu mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo em dois anos. O dinheiro era distribuído por meio das chamadas contas bolsão.

Para ocultar os verdadeiros donos, a organização utilizava nomes de familiares, pessoas em situação de vulnerabilidade e até detentos para abrir as empresas de fachada.

Fraude no setor de combustíveis e uso de nafta

Uma das frentes mais graves envolve a adulteração de combustíveis. O grupo simulava a compra de nafta petroquímica para fins industriais, mas desviava o produto.

Esse material era misturado à gasolina e ao diesel vendidos ao consumidor final. A estimativa é de um prejuízo superior a R$ 200 milhões em tributos sonegados.

Os lucros obtidos com essa fraude eram injetados em fundos de investimento que, em pouco mais de um ano, registraram um crescimento patrimonial impressionante de 200%.

Monitoramento de criptoativos e alcance nacional

A Operação Fluxo Oculto também detectou transações de R$ 365 milhões em criptoativos. O rastro digital indica a conexão com outras facções criminosas nacionais.

Ao todo, 59 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, mobilizando centenas de agentes federais.

A força-tarefa conta com o apoio do Gaeco e da Sefaz/SP, unindo esforços para desmantelar a estrutura financeira que sustenta o crime organizado no coração da economia.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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