A cidade de Itapema, no litoral catarinense, está prestes a protagonizar uma transformação urbana que promete mexer com o topo do ranking imobiliário nacional nos próximos meses.

O foco principal é o alargamento da orla, uma obra de R$ 60 milhões que visa ampliar a faixa de areia e atrair investidores de alto padrão, seguindo o modelo de sucesso da vizinha Balneário Camboriú.

A gestão municipal acredita que a cidade ultrapassará os recordes atuais, tornando-se o local com o solo mais valorizado de todo o território brasileiro, conforme divulgado pelo Estadão.

O projeto de alargamento e a valorização imobiliária

O plano prevê o lançamento de 416 mil metros cúbicos de areia em 4,75 quilômetros de orla. A faixa de areia deve ganhar entre 20 e 60 metros de largura, dependendo do trecho específico da praia.

Segundo o prefeito Alexandre Xepa, a expansão deve elevar os preços dos imóveis em mais de 30%. “Depois do alargamento, eu não tenho dúvida de que vai ser o metro quadrado mais valorizado do Brasil”, afirmou.

O investimento será dividido entre a prefeitura e o Governo de Santa Catarina. A expectativa é que o trabalho comece em julho e termine antes da temporada de verão, mudando a face do turismo local.

Megaempreendimentos e novos prédios de luxo

O mercado imobiliário já reage à novidade. A construtora GT Home, responsável pelo Yachthouse, anunciou sua estreia em Itapema com dois projetos gigantescos de frente para o mar, aproveitando a nova infraestrutura.

O alargamento permitiu mudanças no Plano Diretor, permitindo prédios mais altos sem que o sombreamento na areia seja um problema legal. Um dos novos edifícios terá 52 andares e 140 apartamentos de luxo.

Outra gigante no setor é a Sunprime, que lançou o edifício Orgânica. O projeto de 50 andares conta com fachada assinada pelo escritório Burle Marx, com unidades que podem custar até R$ 5,4 milhões.

A disputa pelo metro quadrado mais caro do país

Atualmente, a diferença entre Itapema e Balneário Camboriú é de apenas R$ 6 no Índice FipeZAP. Enquanto a vizinha registra R$ 15.185 por metro quadrado, Itapema já atingiu a marca de R$ 15.179.

Nos últimos 12 meses, os preços em Itapema saltaram 8,10%. Para especialistas do setor, a cidade é como um “filho mais novo” de Balneário Camboriú, ainda em fase de amadurecimento e com alto potencial de retorno.

Cidades como Vitória, Florianópolis e Itajaí aparecem logo atrás no ranking. Já a capital paulista ocupa apenas a sétima posição, reforçando a força do litoral de Santa Catarina no mercado de luxo nacional.

Impactos sociais e preocupações ambientais

Apesar do otimismo econômico, especialistas alertam para a periferização. O professor Everton da Silva, da UFSC, aponta que o foco no investimento financeiro pode expulsar trabalhadores locais para áreas distantes.

Ele descreve o fenômeno como uma “uberização” do mercado habitacional, onde o aluguel de curta temporada se torna mais rentável, reduzindo a oferta de moradia digna para quem trabalha no comércio e serviços.

No campo ambiental, o oceanógrafo Paulo Pagliosa alerta que o alargamento artificial pode prejudicar a autorregeneração da praia. Além disso, há riscos de poluição e alterações nas correntes que aumentam o perigo de afogamentos.

A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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