A Embraer acaba de alcançar um marco histórico em sua trajetória global. A fabricante brasileira fechou o maior contrato internacional já registrado para o seu cargueiro C-390 Millennium, selando uma parceria estratégica com os Emirados Árabes Unidos para o fornecimento de dez aeronaves.

O negócio foi assinado com a Tawazun Council for Defence Enablement, entidade responsável pela indústria de defesa daquele país. Além da compra inicial, o acordo prevê a possibilidade de aquisição de mais dez unidades, reforçando a confiança na tecnologia nacional, conforme divulgado pelo Estadão.

A aeronave, reconhecida como a maior já desenvolvida pela Embraer, deve desempenhar papéis fundamentais na força aérea árabe. O contrato inclui o suporte pós-venda e a colaboração para o desenvolvimento de capacidades locais de manutenção e reparo de peças.

Um salto estratégico para a indústria nacional

O C-390 Millennium foi projetado para missões versáteis, desde o transporte de tropas e cargas até o auxílio em missões humanitárias. A tecnologia permite operações complexas, como lançamentos aéreos, evacuações aeromédicas e o uso em pistas não pavimentadas.

O presidente da Embraer Defesa, Bosco da Costa Junior, celebrou o impacto positivo da negociação. Segundo o executivo, a aeronave revolucionária oferece o desempenho necessário para que a força aérea parceira opere com versatilidade em qualquer lugar e a qualquer hora.

Expansão global e novos horizontes

Após um início tímido no mercado financeiro, o cargueiro ganhou tração em 2023. Atualmente, a lista de clientes internacionais inclui países como Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Coreia do Sul, evidenciando uma forte aceitação global.

A empresa agora mira novos territórios com negociações avançadas na Índia e na Arábia Saudita. O objetivo é atender a demanda de substituição de frotas obsoletas, um mercado estimado em 490 aeronaves nos próximos 20 anos, movimentando cerca de US$ 60 bilhões.

Desafios superados no Brasil e no exterior

O caminho até o sucesso não foi simples. Internamente, a Embraer enfrentou cortes orçamentários da Aeronáutica brasileira em 2021, que reduziram a encomenda inicial de 28 para 19 unidades, exigindo uma renegociação complexa para manter a viabilidade do projeto.

Além disso, a companhia lida com as particularidades das exportações militares, que exigem alinhamento estratégico com nações aliadas. Apesar das barreiras, a versatilidade do C-390 tem se mostrado o principal diferencial competitivo para a expansão contínua.

O programa, iniciado em 2009 com investimento de R$ 22 bilhões, provou ser uma solução técnica robusta. A fabricante segue otimista, apostando na interoperabilidade das suas aeronaves para dominar uma fatia significativa do mercado global de defesa.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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