Vivemos em um período marcado por uma conjunção rara de fatores que geram incertezas profundas e disruptivas na sociedade e nos negócios. Disputas geopolíticas, crises climáticas e rápidas mudanças tecnológicas criam um cenário onde a capacidade de prever o futuro torna-se limitada.

Essa baixa visibilidade, embora eleve riscos significativos, também abre portas para oportunidades estratégicas. O desafio para as lideranças é navegar em águas desconhecidas, onde o comportamento do mercado exige uma postura mais ágil e menos rígida do que no passado.

O debate sobre o tema ganhou força recentemente em um encontro de lideranças do setor financeiro, seguradoras e consultorias realizado em Paris, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio dos problemas indomáveis na gestão

As incertezas atuais são classificadas como problemas indomáveis, situações onde não há soluções definitivas ou dados suficientes para uma previsão precisa. Tais dilemas afetam diversos grupos de interesse com visões conflitantes sobre as melhores estratégias a serem seguidas.

A governança tradicional, baseada apenas em métricas quantitativas e probabilidades, mostra-se insuficiente para lidar com essa realidade. O ambiente corporativo exige agora uma abordagem mais adaptativa, focada em múltiplos cenários e na pluralidade de visões.

Adaptação da governança e responsabilidade fiduciária

O papel da supervisão nas empresas está passando por mudanças importantes. Questões ligadas ao meio ambiente e recursos naturais migraram de temas secundários para passivos legais e reputacionais diretos, exigindo que os conselhos de administração ampliem seus repertórios.

A regulamentação sobre emissões de carbono e a economia circular são exemplos claros dessa migração. Membros de conselhos precisam estar preparados para entender como essas externalidades impactam diretamente o valor e a perenidade das organizações no longo prazo.

A importância da diversidade nos comitês

Como é quase impossível que um conselho único possua todo o conhecimento necessário, o uso de comitês dedicados à inovação e sustentabilidade torna-se valioso. Essas instâncias possuem mais liberdade para buscar especialistas externos e tratar de temas complexos.

A diversidade de experiências, culturas e posturas é considerada um trunfo indispensável. Ao integrar diferentes pontos de vista, a empresa consegue desenhar cenários mais robustos que consideram as variadas nuances do contexto global em constante transformação.

Agilidade e foco em oportunidades

Conselhos empresariais costumam ter uma tendência natural de focar exclusivamente na gestão de riscos. Contudo, o momento atual exige um reequilíbrio, onde a busca por oportunidades deve ter o mesmo peso que a proteção do patrimônio contra ameaças externas.

A rigidez dos planos estratégicos de longo prazo, vistos anteriormente como estruturas imutáveis, precisa dar lugar a uma gestão de tempestividade. Revisar hipóteses com frequência permite que a organização mude sua rota conforme o ambiente evolui, mantendo sua relevância.

A construção de um novo norte estratégico

O segredo para a governança moderna parece residir na fundamentação do processo decisório em princípios e valores claros. Em vez de prescrições rígidas, as empresas devem focar no engajamento genuíno de seus executivos para implementar estratégias ágeis em cenários desconhecidos.

Embora erros façam parte de uma abordagem exploratória, a inércia é o maior perigo para as corporações. A resiliência, neste contexto, é alcançada por meio da abertura ao novo, do acesso a conhecimentos diversos e de uma proatividade que substitui o medo da incerteza pela capacidade de adaptação constante.

A fonte original deste conteúdo é o Estadão, e você pode acessar a matéria completa em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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