Em meio à crise de imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e às disputas internas entre seus integrantes, o ministro Flávio Dino lançou nesta segunda‑feira (20) uma proposta de reforma do Judiciário. A iniciativa, publicada no portal ICL Notícias, abre uma nova frente de debate com o presidente da corte, Edson Fachin, que tem defendido a chamada “autocontenção” do Poder Judiciário.

Dino critica o discurso que vê a autocontenção como solução e argumenta que o Brasil precisa de mais justiça, não menos. Ele destaca a necessidade de tipos penais mais rígidos para magistrados e procuradores, além de regras claras sobre direitos, deveres, remuneração, impedimentos, ética e disciplina das carreiras jurídicas.

A proposta inclui ainda 13 outras sugestões que visam resolver problemas concretos de empresas, cidadãos e do próprio Poder Público. Conforme divulgado pelo Notícias ao Minuto Brasil, a proposta de Dino recebeu elogios de Fachin, que a considerou merecedora de apoio.

Principais pontos da reforma proposta por Flávio Dino

Tipos penais rigorosos e código de conduta

Dino propõe a criação de tipos penais mais severos para crimes cometidos por juízes e procuradores, bem como a regulamentação de direitos, deveres, remuneração, impedimentos, ética e disciplina das carreiras jurídicas. A medida visa coibir abusos e ampliar a responsabilização dos agentes do Judiciário.

Precatórios e transparência no Fundo de Modernização

Entre as sugestões, destaca‑se a proposta de estabelecer critérios claros para a expedição de precatórios e sua cessão a empresas e fundos, evitando fraudes. Dino também pede maior transparência na arrecadação e uso dos recursos do Fundo de Modernização do Judiciário.

Agilidade nos processos eleitorais e uso de IA

O ministro aponta a necessidade de tramitação adequada de processos na Justiça Eleitoral, citando casos no Rio de Janeiro e em Roraima que sofreram atrasos. Além disso, ele propõe limites para o uso de inteligência artificial na tramitação de processos judiciais, buscando segurança jurídica.

Instâncias especializadas e revisão de competências

Dino sugere a criação de instâncias especializadas em todos os tribunais para acelerar processos sobre crimes contra a pessoa, dignidade sexual e improbidade administrativa. Também propõe a revisão das competências constitucionais do STF e dos tribunais superiores, bem como a simplificação dos requisitos processuais para acesso recursal.

Ao final, o ministro ressalta que a última reforma ocorreu há 22 anos e que é urgente abrir um novo ciclo de mudanças constitucionais e legais, com apoio de partidos como o PT, que também defendem a necessidade de ajustes no Judiciário. A proposta de Dino recebeu apoio do presidente do STF, que destacou a importância de um debate sério e institucional sobre a ética e a responsabilidade funcional.

Fonte original: Notícias ao Minuto Brasil – Política

You May Also Like
Barroso defende atuação do STF na regulação das big techs em meio a pressão dos EUA

Luís Roberto Barroso quebra o silêncio sobre polêmicas no STF: veja o que ele revelou agora!

O ex-ministro comentou as denúncias envolvendo o Banco Master e defendeu a criação de um novo Código de Ética para a Suprema Corte.
Ciro descarta Presidência e anuncia candidatura ao Governo do Ceará

Ciro Gomes descarta corrida presidencial e anuncia pré-candidatura ao Governo do Ceará em movimento que agita o cenário político para as eleições deste ano

Após especulações sobre uma possível disputa pelo Planalto, político confirma que focará na campanha estadual cearense com apoio de aliados do PL
Lula oferece apoio à Venezuela após terremoto e avalia assistência

Terremoto na Venezuela: Lula mobiliza ajuda após fortes tremores e impacto no Brasil

Presidente brasileiro orienta apoio imediato após sismos de magnitude 7,5 causarem destruição e pânico
Não acredito que Trump tenha interesse em interferir nas eleições brasileiras, diz Motta

Hugo Motta promete rigor regimental para analisar pedidos de CPI contra o Banco Master em meio a disputa política intensa no Congresso Nacional

Presidente da Câmara dos Deputados adota postura técnica sobre investigação do Banco Master enquanto governo e oposição brigam pelo controle da pauta