A inadimplência no Brasil chegou a níveis históricos, com 81,7 milhões de pessoas com dívidas em atraso somando R$ 539 bilhões em fevereiro, segundo a Serasa Experian. O aumento ocorre mesmo com a taxa de desemprego em mínima histórica e a renda real dos trabalhadores em recorde. O fenômeno tem relação direta com a elevação dos juros e o alto comprometimento da renda dos brasileiros, como explicam economistas citados pelo Estadão.

Com a Selic mantida por longos períodos em torno de 15% ao ano e apenas recentemente recuando para 14,75%, o custo do crédito disparou. Esse cenário pressiona o orçamento familiar, sobretudo entre quem ganha até dois salários mínimos, que compõem 78% dos inadimplentes. Além disso, a oferta massiva de crédito por fintechs e bancos digitais ampliou o acesso ao endividamento, mas também a vulnerabilidade ao aumento dos juros.

O governo pretende lançar o programa “Desenrola 2” para renegociar dívidas, mas especialistas alertam que, sem a redução da taxa básica de juros, os efeitos serão temporários, como ocorreu com o Desenrola 1. Saiba mais sobre as causas e as possíveis soluções para a crise de inadimplência.

Juros altos e renda comprometida: a raiz da inadimplência

Taxa Selic e seu reflexo no bolso

A Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas, antes de recuar para 14,75% em março. Esse patamar eleva o custo dos empréstimos, impactando diretamente as famílias que já destinam mais de 70% da renda a dívidas e contas básicas.

Comprometimento de renda segundo a Serasa

Em média, os brasileiros comprometem 70,5% da renda com obrigações financeiras. Para quem recebe um salário mínimo, esse número chega a 90%, e para quem ganha dois salários mínimos, 80%. Camila Abdelmalack, economista‑chefe da Serasa, destaca que “isso mostra o quanto o brasileiro está supercomprometido”.

Oferta crescente de crédito

Entre 2016 e 2022, a participação dos bancos e financeiras na inadimplência subiu de 32,7% para 47,1%, segundo a Serasa. O aumento da bancarização e a presença de fintechs ampliaram o acesso ao crédito, mas também aumentaram a exposição ao aumento dos juros.

Desenrola 2: possibilidades e limites

O novo programa de renegociação, apelidado de Desenrola 2, deve aliviar a situação no curto prazo, mas especialistas como Luiz Rabi e Fabio Bentes alertam que, sem a redução da taxa de juros, o efeito será efêmero. O Desenrola 1, lançado em 2023, teve impacto temporário ao reduzir o calote bancário, mas a inadimplência voltou a subir nos meses seguintes.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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