O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enfrentou forte protesto no Palácio do Planalto e na cúpula do PT ao se eximir de responsabilizar o ex‑presidente Roberto Campos Neto pelo colapso do Banco Master. O caso, que deixou mais de R$ 50 bilhões de prejuízo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tem sido usado como arma política nas disputas eleitorais.
Em reunião no Planalto, a estratégia governamental foi direcionar a culpa ao dono do Master, Daniel Vorcaro, e associar a falha à gestão do ex‑presidente Jair Bolsonaro, criando o termo “Bolsomaster”. O objetivo era evitar que o escândalo contaminasse a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo informações do Estadão.
Ao ser questionado na CPI do Crime Organizado, Galípolo rompeu o roteiro ao declarar que “não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex‑presidente Roberto Campos Neto”, citando o que consta nos autos. A resposta gerou revolta nas altas esferas do governo e entre petistas, que já criticavam a atuação do presidente do BC como “decepção”.
Reação de políticos e críticas ao governo
Inconformidade no Planalto
Deputado Lindbergh Farias (RJ) acusou Galípolo de “blindar” o ex‑chefe para proteger decisões que favoreceram o ambiente propício ao Master, ressaltando a insuficiência do controle interno. Ele alertou que a tentativa de desviar a culpa para Bolsonaro e Campos Neto visa desviar o foco da crise, prática já observada nos bastidores.
Pressão sobre a autonomia do Banco Central
Interlocutores de Galípolo afirmaram ao Estadão que ele pretende manter um “trabalho técnico” sem transformar o Banco Central em alvo de disputa eleitoral. Contudo, a preocupação maior revela‑se na possível tentativa de o governo impedir a aprovação da PEC da autonomia orçamentária, que traria maior independência ao BC.
Impactos no efetivo do Banco Central
Na mesma sessão da CPI, Galípolo pediu “socorro” aos senadores para aprovar a proposta de autonomia, alegando perda de quase um quarto dos servidores nos últimos dez anos e dificuldade de reposição. Apesar das inovações trazidas pelo Pix, a autarquia tem visto seu quadro de funcionários diminuir.
Posicionamento de Lula e do PT
Lula e o PT se opõem à autonomia plena do Banco Central, defendendo que a política monetária deve permanecer alinhada ao governo eleito. Essa postura reforça a tensão entre a necessidade de independência técnica e os interesses políticos que surgem em torno do caso Master.
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