A diretoria executiva da Petrobras aprovou nesta quarta‑feira (8) a neutralização dos efeitos financeiros do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado em 31 de março. A decisão vem após críticas intensas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou o certame de “cretinice” e “bandidagem”. Conforme divulgado pelo Estadão, a medida inclui a devolução aos clientes da diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) e os lances arrematados.
A estatal justificou a ação como necessária diante da “excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio”, e em observância às manifestações de órgãos reguladores como a ANP e a Senacon. A medida também busca garantir a entrega total dos volumes contratados, preservando a previsibilidade e a segurança do abastecimento nacional.
Além da devolução de valores, a Petrobras está analisando a adesão ao programa de subvenção ao GLP importado criado pela Medida Provisória Nº 1.349, que poderia gerar novos repasses aos consumidores caso os volumes do leilão estejam cobertos pelo programa. A fonte original é a Estadão.
Contexto do leilão e reação presidencial
O leilão de GLP, realizado em 31 de março, resultou em um ágio superior a 100%, gerando insatisfação no governo. Lula chegou a afirmar em entrevista à TV Record da Bahia que o leilão seria “anulado” e que o povo pobre não pagaria o preço da guerra. Essa postura culminou na demissão do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, quatro dias depois.
Motivos da neutralização
Segundo a Petrobras, a decisão foi baseada em análises econômicas e de risco que consideraram o cenário de instabilidade no Oriente Médio e as pressões de órgãos como a ANP e a Senacon. A estatal destaca que a medida preserva a entrega dos volumes contratados e evita impactos negativos ao consumidor final.
Devolução dos valores
Os clientes receberão a diferença entre o PPI, divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março, e os lances efetivamente arrematados pelos distribuidores. Essa ação busca compensar o aumento excessivo de preço que foi repassado ao mercado.
Possível adesão ao programa de subvenção
A Petrobras afirmou que está avaliando formalmente sua participação no programa de subvenção ao GLP importado, previsto na Medida Provisória Nº 1.349. Caso a adesão seja confirmada e os volumes leiloados estiverem cobertos pelo programa, a estatal devolverá também os valores sustentados pela subvenção.
A medida reflete a ausência de um plano estrutural para lidar com as oscilações do preço do petróleo, segundo análises de especialistas que apontam para improvisos frequentes nas políticas de combustíveis.







