A diretora‑geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que a economia mundial enfrenta novo teste após a guerra no Oriente Médio, agora em pausa, o que deve reduzir o crescimento global em 2026. O choque de oferta é qualificado como “grande, global e assimétrico”, trazendo riscos inflacionários e pressionando políticas monetárias e fiscais. Conforme divulgado pelo Estadão, o cenário traz ainda implicações críticas para o agronegócio brasileiro, que depende do trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz.
Georgieva destacou que, nas próximas reuniões de Primavera do FMI em Washington, serão debatidos caminhos para mitigar o impacto da crise e aliviar a dor nas economias. A expectativa é que o Fundo revise para baixo a projeção de crescimento global, apontando que, sem o conflito, a perspectiva seria de melhoria. O Brasil, como exportador de petróleo e grande produtor agrícola, sente os efeitos da alta dos preços de energia.
Além de rever as previsões, o FMI planeja lançar cenários que consideram desde uma rápida normalização até a permanência de preços elevados de petróleo e gás, com repercussões nos mercados emergentes. A diretora‑geral reforçou a importância de políticas coordenadas e vigilância financeira para evitar que a situação se agrave ainda mais. Fonte: Estadão
Impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia global
Choque de oferta e inflação
Georgieva afirmou que o conflito gerou “dificuldades consideráveis em todo o mundo”, afetando infraestrutura, cadeias de suprimentos e confiança dos investidores. Apesar da queda nos preços do petróleo, os níveis ainda estão muito acima do pré‑guerra, pressionando países importadores de energia, como o Brasil, a custos mais altos.
Demanda por apoio do FMI
O FMI estima que a necessidade de apoio ao balanço de pagamentos possa chegar a US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões no curto prazo, dependendo da durabilidade do cessar‑fogo. Georgieva ressaltou que o Fundo focará nos importadores vulneráveis, destacando que as economias emergentes têm políticas sólidas que ajudam a absorver o choque.
Orientações para políticas econômicas
Georgieva alertou contra medidas isoladas, como controles de exportação ou de preços, que poderiam “jogar gasolina no fogo”. Ela recomendou que bancos centrais intervenham firmemente se as expectativas de inflação ameaçarem desancorar, enquanto o apoio fiscal deve ser “direcionado e temporário” para não comprometer ainda mais o crescimento.
Revisão das cotas do FMI e papel do Brasil
A diretora‑geral defendeu a aprovação da 16ª Revisão Geral de Cotas, que aumentaria em 50 % os recursos disponíveis para todos os membros, sem mudar o poder de voto. Ela enfatizou que grandes economias emergentes, como o Brasil e a Índia, não precisam de empréstimos, mas requerem vigilância e suporte para estabilizar suas regiões.
O Brasil já se manifestou a favor da revisão e busca maior participação nas decisões do Fundo, embora a redistribuição de poder de voto ainda enfrente resistência de países com maior influência.
Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







