O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a pressão sobre a Petrobras, exigindo o cancelamento do polêmico leilão de gás de cozinha (GLP), realizado em 31 de janeiro. O certame gerou um ágio superior a 100%, despertando forte repreensão do governo federal.
Este cenário coloca a estatal em uma posição delicada. O leilão foi concluído, e as entregas das 70 mil toneladas de GLP já tiveram início na virada do mês, com os novos preços em vigor. A decisão de Lula promete desdobramentos significativos para o abastecimento nacional.
O impasse revela tensões crescentes entre o Palácio do Planalto e a direção da Petrobras, gerando incertezas sobre o futuro do gás de cozinha e seu custo final. A situação complexa foi amplamente divulgada pelo Estadão.
Petrobras em ‘Sinuca de Bico’ Diante da Pressão Governamental pelo Leilão de GLP
A Petrobras se encontra em uma “sinuca de bico” após a declaração do presidente Lula de que vai anular o leilão de gás de cozinha. O certame, concluído em 31 de janeiro, já resultou em entregas de 70 mil toneladas de GLP, que devem estar totalmente distribuídas até a próxima segunda-feira, dia 6, com os novos preços.
Lula classificou o leilão como “cretinice e bandidagem”, afirmando que foi feito sem a orientação do governo. Ele enfatizou: “As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: ‘Não vamos aumentar o GLP’. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras. Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra.”
Ágio Elevado e o Impacto no Preço do Gás de Cozinha
O leilão de GLP, que durou mais de seis horas, registrou um aumento de preço expressivo. No polo Duque de Caxias, Rio de Janeiro, o valor do gás de cozinha saltou de R$ 33,37 para R$ 72,77, um ágio de 117% sobre o preço de referência local.
Essa alta, atribuída à guerra no Oriente Médio, impacta diretamente os preços do petróleo e derivados, já que parte do GLP brasileiro é importada. O valor estava congelado desde novembro de 2023, e a elevação afetará o programa governamental “Gás do Povo”, exigindo ajuste em seu preço de referência.
Reação da Casa Civil e Pressão Interna na Petrobras
O leilão de GLP, após adiamentos, gerou grande descontentamento na Casa Civil. O governo não foi informado do calendário e desejava seu cancelamento. A intenção era implementar a subvenção do GLP antes, mas a alta do querosene de aviação (QAV) furou a fila, impossibilitando a preparação a tempo.
Fontes governamentais relatam que a notificação sobre a realização do leilão provocou reação imediata e contundente. Palavras como “desobediência”, “traição” e a ameaça de que “cabeças vão rolar” foram mencionadas no ambiente do governo, refletindo a profunda tensão com a Petrobras.
Soluções para o Impasse e Posicionamento do Mercado
O volume de GLP negociado corresponde a cerca de 12% da venda mensal da Petrobras. Com a empresa já praticando preços maiores, uma subvenção retroativa surge como a provável solução para o impasse, apesar da oposição das distribuidoras e da necessidade de regulamentação da ANP.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) não comentou sobre preços, mas ressaltou o impacto dos conflitos globais nos custos do petróleo e seus derivados. Essa situação influencia as condições de mercado para o GLP no Brasil.
A fonte original desta reportagem é o Estadão, e você pode acessar a matéria completa em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







