Em 2026 a capital paulista passará por um intenso processo de verticalização, impulsionado principalmente pelos condomínios compactos econômicos vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo um relatório da Lello Condomínios, cerca de 620 novos empreendimentos serão entregues, representando um aumento de 13% em relação ao ano anterior.
Estes projetos, que concentram quase 60% de unidades de metragem reduzida, são favorecidos por incentivos do Plano Diretor e por subsídios federais que tornam a construção mais barata. O cenário projeta a participação do programa habitacional em 37% das entregas, frente a 25% em 2025, conforme apontam especialistas do setor.
Entretanto, o crescimento do volume não impede a elevação das taxas condominiais, que devem ultrapassar R$ 1 mil por mês em 2026, pressionando ainda mais os moradores. O detalhamento desses aspectos segue abaixo, baseado em informações do Estadão.
Perfil dos novos condomínios e o papel do Minha Casa, Minha Vida
Empreendimentos econômicos e compactos
Do total previsto, 37% dos condomínios são de padrão econômico, com unidades próximo ao teto da faixa 4 (R$ 600 mil), e 22% são de unidades compactas com incentivos do Plano Diretor. Angélica Arbex, diretora de marketing e estratégia da Lello Condomínios, destaca que “o mercado foca nesses empreendimentos porque o ganho está no volume e na escala, representando risco baixo para o incorporador”.
Participação do programa habitacional
Dados do Secovi-SP mostram que, apenas em 2025, mais de 85 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida foram lançadas, equivalendo a 64% dos lançamentos em São Paulo, um aumento de 30% comparado ao ano anterior. A tendência de condomínios econômicos deve se manter nos próximos anos.
Transformação do perfil dos moradores
Segundo Gabriel Cançado, CEO da Holos Incorporadora, os paulistanos priorizam praticidade e menor metragem, adiando a constituição de família e focando na saúde financeira. Essa mudança dirige a oferta para projetos sem vaga de garagem, localizados próximos a eixos de transporte público.
Aumento das taxas condominiais
Embora o número de unidades cresça, o custo médio da taxa condominial também sobe. Em 2024, a média era R$ 832/mês; em 2025, R$ 983/mês; e a projeção para 2026 é de R$ 1.085/mês, totalizando cerca de R$ 13.020 ao ano. Cyro Naufel, da Lopes, atribui esse aumento ao incremento de serviços, como segurança e áreas de lazer, que elevam a mão‑de‑obra, responsável por 50% a 60% dos custos.
Inadimplência em alta
O estudo da uCondo registra inadimplência de 11,77% em São Paulo no segundo semestre de 2025, refletindo a pressão sobre os orçamentos domésticos. Leo Mack, cofundador da uCondo, alerta que atrasos reduzem o caixa dos condomínios, atrasam obras e dificultam o cumprimento de contratos.
Para enfrentar esses desafios, incorporadoras como Plano&Plano evitam itens custosos, como piscinas em torres únicas e sensores avançados, buscando manter a taxa de partida entre R$ 300 e R$ 320.
Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







