O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou, em 2025, recorde de injeção de crédito, totalizando R$ 366 bilhões. Incrementado em 32% na comparação anual, o montante viabilizou investimentos e geração de emprego nos setores industrial, agrícola, de comércio, serviços e infraestrutura.
“O BNDES está fomentando o crédito em R$ 1 bilhão ao dia”, ressalta o presidente do banco, Aloizio Mercadante. “É uma contribuição fantástica, porque permite investimento, inovação, modernização e descarbonização da economia. Inclusive, com o aumento da competitividade e da oferta de produtos, ajuda a reduzir a inflação estrutural”, destaca.
De acordo com o balanço recém-divulgado, o volume de desembolsos, que corresponde ao dinheiro efetivamente liberado nas operações de crédito, subiu 27% em relação ao ano anterior e chegou a R$ 169,7 bilhões, o equivalente a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse crescimento é consequência direta do impulso de 19% no volume de consultas e de 12% nas aprovações de crédito, que alcançaram R$ 237,9 bilhões (1,9% do PIB).
Em termos setoriais, o destaque é o aumento de 35% nas aprovações (R$ 71 bilhões) para a indústria ante 2024. O setor lidera as aprovações do BNDES pelo segundo ano consecutivo, o que reflete seu esforço para reindustrializar o País. As aprovações do agro e do setor de comércio e serviços foram ampliadas em 4% e 23%, chegando, respectivamente, a R$ 54,3 bilhões e R$ 41,2 bilhões.
Desempenho recorde
O lucro recorrente, de R$ 15,2 bilhões, é o maior da história do BNDES (15,4% superior ao do ano anterior). Ele provém da receita gerada por fontes constantes e previsíveis. No caso do BNDES, a principal é o pagamento dos financiamentos pelos clientes. Um dos fatores que contribuíram para o excelente resultado é a baixíssima inadimplência: enquanto no Sistema Financeiro Nacional (SFN) como um todo o índice é de 4,08%, no BNDES é de 0,06% – o que reforça a solidez da carteira de crédito do banco, que alcançou R$ 664 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior.
O lucro líquido também registrou alta, de 1,7%, chegando a R$ 26,8 bilhões. Trata-se do segundo melhor resultado do SFN. Quando se leva em conta o resultado por colaborador, no entanto, o BNDES ficou com o primeiro lugar: quase R$ 9,2 milhões por empregado, patamar cinco vezes superior à média do segundo colocado.
Apoio à inovação
“O BNDES está se tornando crescentemente um banco de inovação”, explica o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa. O esforço reflete uma das diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), política do Governo Federal para reindustrializar o País. “As operações voltadas à inovação saíram de R$ 7,1 bilhões de 2019 a 2022 para R$ 35,6 bilhões em apenas três anos”, detalha o dirigente.
Uma das empresas que obtiveram financiamento é a farmacêutica Althaia, de capital nacional, fundada em 2010 e sediada em Atibaia (SP). Os R$ 211 milhões obtidos no BNDES foram destinados à construção de um centro de Pesquisa & Desenvolvimento (R$ 70 milhões), com capacidade para abrigar 248 profissionais, e ao desenvolvimento de produtos (R$ 141 milhões).
“Esse tipo de linha de crédito permite às companhias aproveitar o capital intelectual do Brasil. Não teríamos investido na mesma proporção sem o acesso a esse crédito”, diz o CEO da Althaia, Jairo Yamamoto. Ele destaca que o grande diferencial do financiamento é o prazo de 15 anos, com três de carência. “Isso é fundamental, porque nenhum projeto na área farmacêutica dá resultado em menos de cinco anos”, observa o executivo.
Papel estratégico
“Mais do que viabilizar projetos estruturantes, o BNDES desempenha um papel estratégico ao impulsionar a modernização produtiva e fomentar iniciativas alinhadas ao desenvolvimento sustentável”, ressalta o diretor de Finanças e Relações com Investidores da WEG, André Menegueti Salgueiro. “Esse apoio reverbera por toda a cadeia produtiva, de fornecedores a parceiros tecnológicos, ampliando oportunidades, estimulando ganhos de eficiência e promovendo a geração de empregos e valor no País.”
Sediada em Jaraguá do Sul (SC), a empresa – que investe fortemente em inovação e expansão industrial – faturou R$ 40,8 bilhões no ano passado. O anúncio de investimento mais recente que conta com a participação do BNDES é a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias, em Itajaí (SC). Para viabilizar o projeto, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027, a WEG contou com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação.

Crédito para micro, pequenas e médias supera R$ 200 bi
Em 2025 o apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) – que, juntas, são as maiores empregadoras do País – chegou a R$ 224 bilhões, aumento de 43% em relação a 2024 e 215% ante 2022.
Desse montante, R$ 95,8 bilhões se referem à concessão de crédito e R$ 128,2 bilhões dizem respeito às garantias, já que o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) é um mecanismo gerido pelo BNDES com foco nas MPMEs. “A grande dificuldade de acesso ao crédito é a garantia. Com o acesso do BNDES ao FGI-Peac, o BNDES alavanca e democratiza o crédito para esse segmento, que gera muito emprego”, declara Mercadante.
Uma das contempladas pelo aval do FGI às aprovações de crédito efetuadas por outros bancos é a propriedade rural familiar de Luan Poloni, situada em Barra do Rio Azul (RS). Ele obteve R$ 700 mil para construir um galpão destinado a 30 vacas leiteiras. Com prazo de pagamento de 10 anos, o financiamento foi liberado em dezembro e as obras seguem a todo vapor.

Com a nova estrutura, as vacas até então mantidas no pasto durante o dia permanecerão 24 horas por dia sob proteção, em ambiente climatizado, com camas para descanso e alimentação padronizada com ração. “Além de aumentar a produtividade e a qualidade do produto, nossas condições de trabalho vão melhorar. Não precisaremos mais ficar debaixo de chuva, por exemplo”, exemplifica Poloni.
Sustentabilidade
O BNDES também vem se consolidando como um importante indutor da sustentabilidade, ao financiar iniciativas ligadas à chamada “economia verde”. É o caso do crédito de R$ 3,5 milhões concedido à Empresa Pernambucana de Engenharia Sanitária (Empesa), fundada em 1998 com o propósito de promover o correto tratamento dos resíduos sólidos urbanos e industriais. Hoje, a companhia, de médio porte, atua em vários Estados. “O BNDES está sendo fundamental na transição tecnológica que buscamos”, conta o diretor técnico, Fábio Lopes.
Além do objetivo de ajudar a eliminar os lixões ainda existentes em muitas cidades brasileiras, a Empesa está empenhada em buscar tratamentos específicos para cada tipo de resíduo. Por meio do BNDES, foi possível adquirir um equipamento capaz de beneficiar resíduos que antes não tinham valor comercial e que iriam ser destinados aos aterros sanitários sem o beneficiamento adequado. “Com a utilização dessa nova tecnologia, conseguimos transformar o que antes era lixo em Combustível Derivado de Resíduo (CDR), utilizado principalmente na indústria de cimento em substituição ao combustível derivado de petróleo”, descreve Lopes.
Outros destaques da atuação do BNDES em sustentabilidade são a retomada do Fundo Amazônia, abastecido basicamente por doações do exterior, e o incremento do Fundo Clima, que tem por objetivo o financiamento de projetos relacionados à redução das emissões, à transição energética e à adaptação das cidades à mudança climática.
Depois de um período sem novas aprovações entre 2020 e 2022, o Fundo Amazônia aprovou R$ 2,2 bilhões em 2025, viabilizando projetos para áreas degradadas, capacitação técnica e assistência à população da Amazônia. O Fundo Clima também vem experimentando forte expansão, com desembolso recorde de R$ 6,8 bilhões em 2025, quase seis vezes mais do que no ano anterior. Suas aprovações chegaram a R$ 12,5 bilhões, um incremento de 23% ante 2024 e quase 10 vezes o valor aprovado em 2022.
Sempre presente em situações emergenciais, como as enchentes no Rio Grande do Sul, o BNDES atuou fortemente na mitigação dos efeitos do choque tarifário sobre exportações imposto pelos Estados Unidos.
Foram destinados R$ 19,5 bilhões ao plano Brasil Soberano, criado pelo Governo Federal, contemplando 676 clientes de 24 Estados. “Houve uma mobilização da equipe do BNDES e reduzimos em sete vezes o prazo de aprovação dessas operações diretas para atender empresas que foram mais afetadas pelo choque tarifário”, detalhou Nelson Barbosa.
Solidez e transparência
Outro recorde obtido pelo BNDES em 2025 está nos ativos totais – que chegaram a R$ 962,5 bilhões, maior valor nominal na história do banco. É um aumento de 14,5% em relação ao ano anterior e de 41% em comparação a 2022. “Houve crescimento dos ativos, da carteira de crédito e da participação acionária”, explica o diretor financeiro e de Mercado de Capitais, Alexandre Correa Abreu. “Mas é importante ressaltar que esse crescimento vem acompanhado de diversos indicadores de qualidade. Isso é muito importante para qualquer banco, sobretudo para o BNDES, que tem que prestar contas à sociedade brasileira.”
O diretor Nelson Barbosa destacou ainda a conquista, pelo terceiro ano consecutivo, da classificação mais alta na avaliação do Programa Nacional da Transparência Pública, promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) juntamente com o TCU.

A grande dificuldade de acesso [das MPMEs] ao crédito é a garantia. Com o acesso ao
FGI-Peac, o BNDES alavanca e democratiza o crédito para esse segmento, que gera
muito emprego’, Aloizio Mercadante, presidente do BNDES Foto: Divulgação/BNDES
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







