
O empresário Benjamin Steinbruch precisa de recursos para reduzir o endividamento do grupo CSN, que tem R$ 41,2 bilhões em dívida Foto: Divulgação/CSN Cimentos – 10/09/2021
A venda da CSN Cimentos começa a ganhar corpo. A empresa mãe, a CSN, pode abrir mão do controle para levantar recursos e diminuir seu endividamento. De acordo com fontes ouvidas pela Coluna, perto de 10 companhias devem assinar os contratos para avaliar os dados da empresa, o primeiro passo antes de se fazer uma oferta não vinculante, que é a próxima etapa. O negócio é estimado em US$ 2,5 bilhões. Apesar de estarem em vias de assumir o compromisso de avaliar os números do ativo sem compartilhar as informações, a evolução para propostas mais firmes ainda é distante para a maior parte dos interessados.
Entre os nomes citados pelo mercado que devem assinar o contrato de avaliar os dados sem revelar os números publicamente (NDA, na sigla em inglês), está a J&F, holding da família Batista, e as estrangeiras Cemex, Loma Negra, CRH, Holcim, e Argos. Essa fase do processo de venda acaba atraindo vários interessados, porque é uma análise da empresa que pode não evoluir para uma proposta de compra, que neste caso é de 100% da empresa.
No grupo de empresas do empresário Benjamin Steinbruch, fontes da Faria Lima apontam que o processo de venda da CSN Cimentos é o que deve evoluir mais rapidamente, embora não se tenha, neste momento, certeza de que o processo vai de fato ser fechado. O empresário precisa de recursos para reduzir o endividamento do grupo, que tem R$ 41,218 bilhões em dívida líquida, número que aumentou quase 10% do terceiro para o quarto trimestre de 2025.
Companhia busca empréstimo
Neste cenário, a empresa confirmou na última semana a informação adiantada pela Broadcast de que busca um empréstimo para lidar com seu endividamento de forma mais imediata. O CFO da CSN, Marco Rabello, disse que a companhia estava próxima a fechar uma operação de crédito há algumas semanas, que tinha como contrapartida a divisão de cimentos. “Voltamos com a operação de crédito para o mercado e ela está muito madura. O mesmo grupo de bancos está conosco novamente”, afirmou. Ou seja, o ativo de cimentos de fato deve fazer parte da equalização da dívida da empresa, seja pela venda do controle, seja para quitar o empréstimo em curso futuramente, caso a venda não ocorra.
Sobre o processo de venda, Rabello disse que a companhia recebeu ofertas de potenciais compradores de diferentes nacionalidades: asiáticos, europeus e brasileiros. Ele falou que com várias ofertas não vinculantes na mesa, o processo deve ser célere e que a expectativa é de conclusão até o terceiro trimestre.
Entre os potenciais interessados, a Holcim (antiga LafargeHolcim) é o grupo franco-suíço que vendeu a maior parte dos ativos para a própria CSN e foi embora do Brasil. Por isso, a possibilidade de sua volta ao mercado brasileiro é vista com descrédito. Na mesma linha, a CRH é uma companhia irlandesa que saiu do Brasil em 2023, vendendo seus ativos para o grupo Buzzi. Essa última, segundo fontes, via um mercado de muita competição, com margens baixas de ganho devido aos preços praticados no País.
Latinas podem usar operação para entrar no Brasil
Já a Loma Negra, da Argentina, e a Argos, da Colômbia, poderiam usar a aquisição como uma porta de entrada no mercado brasileiro de cimento. A primeira, no entanto, depois do fim da recuperação judicial de sua controladora (InterCement Participações) ainda está em fase de definição do novo grupo de acionistas.
Há ainda a expectativa de um grupo chinês, o Anhui Conch Cement, que já enviou equipe para visitar os ativos da CSN, mas não teve permissão para ir em frente, pois não firmou, até o momento, um documento de confidencialidade.
Procurada, a CSN não comentou até a publicação desta reportagem.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 16/03/2026, às 16:52
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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







