O ministro Boulos enfrenta críticas por sua proposta de aumentar a remuneração dos entregadores, o que, segundo opositores, encareceria pedidos e inviabilizaria aplicativos no Brasil. O autor do texto sugere que smartphones, como iPhones, impactam negativamente a economia brasileira, citando a queda do PIB e mudanças sociais desde 2012. Ele argumenta que a difusão dos celulares afeta a produtividade e sugere que o valor dos aplicativos gratuitos deveria ser considerado no cálculo do PIB. Publicado em 16 de março de 2026.

Boulos, proíba o iFood. Boulos, proíba o iPhone também.

O ministro tem reagido ao que chamou de fake news sobre sua proposta de aumentar a remuneração dos entregadores. Para os críticos, vai aumentar o preço dos pedidos e inviabilizar os aplicativos no Brasil.

Já não me importo. Eu tenho uma tese. É a de que os celulares estão destruindo a economia brasileira. Tragam o meu Nobel.

Em 2026, o crescimento do nosso PIB deveria estar passando o da China. É uma projeção de 2008 da PwC. Isso depois de termos crescido 4% ao ano nas últimas duas décadas. Já teríamos um padrão de vida búlgaro. Você pode achar que é apenas mais um erro dessas consultorias. Mas 4% era um número considerado normal até o início do governo Dilma.

Aqui no jornal, manchete de 2012 de entrevista com o mestre Affonso Pastore era pessimista: “Potencial do PIB está mais para 4% do que para 4,5%”. O número ainda chegou às eleições de 2014, quando Guido Mantega previu que cresceríamos 4% em média entre 2014 e 2022. Ficou em 0,2%.

“O que diachos aconteceu em 2012?” é o nome de um texto que mostra como várias séries estatísticas no mundo desenvolvido têm uma quebra naquele ano. Atropelamentos de pedestres, que vinham em queda de décadas, passam a subir sem parar. Indicadores de saúde mental pioram. Nascimentos caem ainda mais. A hipótese: a difusão dos smartphones. Silenciosamente, dominaram tudo.

Essa é agora a minha tese para a economia brasileira. Uma evidência anedótica da sua chegada são os protestos de 2013, impulsionados por eles. Hoje, são onipresentes. Consideramos bons. Mas não tem como o impacto na economia ser só positivo. Tem Pix, entregas, difusão de informação. Mas há de ter impacto ruim.

Na pandemia aprendemos que economia exige proximidade, e celulares afastam. Eles são ainda uma bomba na concentração e têm de ter algum efeito na produtividade. Destroem a atenção e os projetos longos que nossas vidas precisam. Viés de confirmação: alguém já estimou perda de 12% no PIB da Argentina com distração. O brasileiro é um dos que mais passam tempo no celular. Mas não temos big tech.

Ou isso, ou precisamos rever o próprio cômputo do PIB. Em Stanford, economistas têm estimado que o PIB seria maior se fosse inputado valor que os aplicativos gratuitos têm para os consumidores. Chamam de “PIB-B”, que aqui, acho, seria altíssimo (alô, Pochmann!).

Falta mão de obra em um monte de setores, como a construção civil, que é mais importante para o futuro do país que a entrega georreferenciada de pizza. Manda brasa, Boulos.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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