Numa dessas festas de fim de ano, a conversa era sobre qual ministro do STF deveria ser afastado, uma discussão teórica. As decisões esdrúxulas de Toffoli anulando multas do Petrolão e impondo sigilo no caso Master, o contrato escandaloso da esposa de Moraes ou a liminar do decano que interferia na competência do Senado para iniciar o impeachment dos ministros do STF?

Gilmar ganhou. Mais que uma atitude imoral, ou ilegal, que devem ter seus remédios penais próprios, a ousadia de interferir na independência dos Poderes foi considerada a iniciativa mais perigosa das três.

Nada disso começou com o 8 de Janeiro. Vem de anos, quando se arvoraram na missão de decidir eleições. A jurisprudência era adaptada conforme a conveniência, como na prisão de Lula após condenação em segunda instância, seguida pela anulação da Lava Jato com base em conversas hackeadas.

Conseguiram apenas manter a nefasta polarização viva. Novos exageros foram sendo justificados pelo receio da volta de Bolsonaro e em nome da democracia. Deu ruim. Pesquisas recentes mostram que o bolsonarismo não foi derrotado, como vaticinou Barroso, e a sociedade está descrente do STF e das instituições.

Após a divulgação das mensagens entre Moraes e Vorcaro, com três meses de atraso, Viviane Barci produziu às pressas um documento descrevendo seus supostos serviços: criar um código de conduta para relacionamento com setor público e “partes relacionadas”. Só rindo. Nem IA levou a sério.

Vorcaro não surgiu do nada. Aprendeu com os escândalos passados onde está a banda podre do País. O fim da Lava Jato lhe deu sensação de impunidade.

Por via das dúvidas se cercou de “garantias”. No Legislativo, cooptou políticos de todas as cores, da oposição à situação; acessou o Executivo; se infiltrou em todas as hierarquias do Judiciário, no Banco Central e na CVM; cooptou os extremos da mídia — dos blogueiros petistas aos chamados lavajatistas.

Congresso e governo fingem que não é com eles, e a Corte se fecha em copas. O que pensam os demais ministros, ninguém sabe. Seguem tentando controlar as investigações, impedir quebra de sigilo na CPMI do INSS e limitar a atuação da PF, tendo a PGR como aliada.

Hoje, o debate sobre impeachment de ministros do STF é realidade em todos os cantos do País. Mas o silêncio, arrogante e desrespeitoso, se mantém.

Comecei a coluna várias vezes. Mas, Malu Gaspar não me dá sossego. É furo atrás de furo. Jornalistas como ela estão fazendo mais pela democracia que o STF. Sem a coragem de Malus, o plano de Vorcaro teria dado certo e estaríamos no caminho de sempre: pizza.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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