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Crédito: José Maria Tomazella e Bruno Nogueirão | Estadão

Com uma dívida líquida de R$ 65,14 bilhões, a Raízen passa a ser o maior caso no País de reestruturação extrajudicial, no qual um plano é acordado por 50% mais 1 dos credores e homologado por um juiz.

Até a apresentação do pedido da empresa de energia e renováveis do grupo Cosan, o ranking era liderado pela InterCement, empresa de cimentos do grupo Mover, que também renegociou seu passivo, somando dívidas de R$ 13,5 bilhões.

Considerando as reestruturações de dívidas feitas por meio de processos de recuperação judicial, a Raízen empata com a primeira vez em que a Oi foi à Justiça para se reestruturar, em 2016, alegando dívidas de R$ 65 bilhões.

Em 2023, a Oi voltou a pedir recuperação judicial, meses após encerrar o primeiro processo, com um passivo de R$ 43,7 bilhões. Por enquanto, é a Odebrecht que lidera o ranking das maiores recuperações judiciais do Brasil, somando dívidas de perto de R$ 100 bilhões.

Para além dos números, a reestruturação da dívida da Raízen demonstra o efeito do juro elevado sobre o passivo das empresas em contrapartida à capacidade de geração de caixa.

A diretora do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre), Juliana Biolchi, nota que o volume médio de dívidas que vêm sendo apresentado para reestruturação por meio de recuperação extrajudicial tem aumentado, e ela acredita que em 2026 mais casos devem surgir, não necessariamente de mesmo montante de Raízen.

“O pano de fundo do que estamos vendo é, em sua base, o fato de que as companhias sempre têm problemas de gestão, mas este é um momento que, particularmente, percebemos um número elevado de empresas que não estão dando conta de pagar suas dívidas no curto prazo e precisam alongar prazos”, afirmou. Biolchi acrescenta que a guerra no Oriente Médio aumenta a pressão sobre empresas, em consequência da elevação nos preços de muitos insumos.

Para ela, a boa notícia é que pouco mais de 20 anos após a recuperação extrajudicial passar a constar em lei, com normas previstas para resolver problemas financeiros de empresas, o instrumento se mostra como uma alternativa de fato. “Até 2021, não se podia afirmar que o instituto da recuperação extrajudicial cumpria seu papel”, disse.

Conforme o documento apresentado pela Raízen ao entregar à Justiça seu pedido de recuperação extrajudicial, as dívidas somadas das companhias do grupo chegam a R$ 98,6 bilhões.

Ao informar o mercado sobre o passivo a ser renegociado, a companhia citou R$ 65,14 bilhões, já que, para efeito de quórum de aprovação e para votação de qualquer plano, as companhias do grupo ficam de fora, por serem partes interessadas. “Mas se trata de um montante que será tratado dentro do plano”, afirmou Biolchi.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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