A atenção de toda a sociedade está focada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do BC, entre os dias 17 e 18 deste mês, que pode decidir, finalmente, o início do processo de flexibilização da política monetária. Apesar da escalada dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos no preço do petróleo, a perspectiva de afrouxamento se mantém.

A expectativa generalizada é pelo início de um ciclo gradual e seguro de cortes na taxa básica de juros, hoje em 15%. O debate agora é sobre qual será a velocidade da queda. Há espaço para uma redução continuada. O IPCA-15 de fevereiro registrou uma queda na inflação dos últimos 12 meses, que foi de 4,10%, abaixo dos 4,50% do mesmo período anterior.

Esse movimento vai significar o primeiro passo na direção de um retorno organizado às condições normais da economia desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de alta de juros teve início em razão das pressões inflacionárias na época.

Agora, será possível inverter a curva de forma serena e pacificada. A atuação do Banco Central foi determinante na tarefa de trazer o índice de preços para dentro da banda de tolerância da meta.

As projeções apuradas pelo Boletim Focus demonstram a confiança de que, neste e nos próximos três anos, a inflação deverá ficar abaixo de 4%, podendo convergir para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

As expectativas de inflação e juros têm sido revisadas para baixo, e esse processo não deverá sofrer mudança em razão dos conflitos do Oriente Médio. Os líderes dos EUA e de Israel já sinalizaram que a operação militar tem começo, meio e fim, e os efeitos do juro restritivo se acumulam e se espalham no tempo.

Isso é positivo para os mercados como para os setores produtivos e o crédito público e privado. A economia do Brasil poderá exercer sua vocação de crescimento. Mesmo enfrentando juros em alta nos últimos 20 meses, vem provando a sua resiliência ao obter recordes em ocupação, renda e lucratividade.

Poucos países no mundo têm o potencial de reagir rapidamente aos estímulos econômicos como o Brasil. Pela sua diversidade, espírito empreendedor, amplas cadeias produtivas e atualização tecnológica, a nossa economia tem elasticidade para ampliar a atração de novos investimentos produtivos e oportunidades de negócio.

Ajustar a política monetária de forma gradual e tempestiva, sem abrir mão de manter a vigilância sobre os preços, irá referendar o trabalho realizado pelo BC até aqui. É realista imaginar, a partir daí, um cenário de otimismo crescente na economia.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Por que o governo Trump voltou a mirar o Pix e quais medidas os EUA podem adotar contra o Brasil?

Estados Unidos apontam tratamento preferencial ao Pix e Brasil promete manter sistema de pagamentos instantâneos frente a pressões comerciais

Entenda como o relatório da USTR critica o Pix, as possíveis retaliações americanas e a resposta firme do presidente Lula
‘Café do Brasil é insubstituível’, diz Cecafé nos EUA, ao pedir isenção tarifária para o solúvel

Café brasileiro é insubstituível: entenda por que o Brasil pede isenção de tarifas nos EUA agora

Cecafé alerta que novas taxas podem elevar custos para consumidores e prejudicar a indústria americana.
Congresso aprova incentivos às indústrias química e petroquímica com orçamento triplicado

Congresso aprova incentivos às indústrias química e petroquímica com orçamento triplicado

Quais são os cinco principais incentivos fiscais do Brasil? A Duquesa de…
Indústria mostra preocupação com efeitos do novo tarifaço dos EUA sobre empresas nacionais

Impacto de novo tarifaço dos EUA preocupa indústria brasileira e coloca relação política de Flávio Bolsonaro sob análise no cenário internacional

Setores produtivos alertam para prejuízos bilionários enquanto especialistas avaliam o ônus da proximidade de aliados do governo brasileiro com a gestão Trump