Quem ganha mais benefício no Brasil: filho do Bolsa Família ou filho de juiz?

No ‘Chama o Nery’ desta semana, o colunista do ‘Estadão’ mostra o retrato do País no pagamento de benefícios à população.

Leia a transcrição na íntegra de Chama o Nery desta semana:

– Quem ganha mais? – Filho do Bolsa Família ou filho CLT? – Filho do Bolsa Família. Filho CLT ganha o salário-família, mas é menos do que o Bolsa Família. – Filho do Bolsa Família ou filho do Imposto de Renda? – Filho do Imposto de Renda tem o cashback que paga mais. – Filho do Imposto de Renda ou filho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)? – Filho do BNDES tem auxílio de R$ 1,6 mil. – Filho do BNDES ou filho do Pé de Meia? Filho do BNDES. – Filho do BNDES ou filho do executivo? – Filho do BNDES. – Filho do BNDES ou filho do Legislativo? – Filho do BNDES. – Filho do BNDES ou filho no BPC? – Filho no BPC está ganhando agora porque teve o aumento do salário mínimo, ganha por pouco, mas é R$ 1,62 mil. – Filho no BPC ou filho do Judiciário? Filho do Judiciário que tem auxílio de até R$ 1,8 mil por mês.

O ministro Fernando Haddad falou recentemente de unificar os benefícios sociais e eu gosto muito dessa discussão.

Muita gente acha que é só o pessoal do Bolsa Família que recebe benefício por filho, mas não é.

A criança no Bolsa Família ganha aqueles R$ 150, desde que seja extremamente pobre e tenha renda por pessoa de R$ 218 por mês.

Então o filho do Bolsa Família até recebe mais do que o filho do CLT, porque o salário-família é de R$ 70 para trabalhadores que ganham até R$ 2 mil.

Mas tem auxílio para as pessoas ricas também.

O cashback do Imposto de Renda, que é um benefício para o filho do cara mais rico, é de até R$ 190 por mês e isso é mais do que os R$ 150 do Bolsa Família.

E tem um monte de auxílio para criança filha de agentes públicos.

Os nomes variam: o Executivo chama de assistência pré-escolar; no Judiciário é auxílio-creche; e no BNDES chama-se auxílio babá.

Ao contrário do Bolsa Família e do salário-família, não existe uma linha de renda, uma linha de pobreza. O benefício é direito das crianças, filhas desses agentes públicos, mesmo dos que ganham bem.

Eles são bem maiores, por exemplo, que os depósitos do Pé de Meia, talvez a principal marca do governo, que é de mais ou menos R$ 250 por mês para adolescentes pobres em famílias com renda de até 800 por pessoa.

No Estado de São Paulo, o auxílio-creche escola do Tribunal de Justiça é de R$ 800 por mês.

Mas no Rio de Janeiro o auxílio chega a quase R$ 1,8 mil por filho de juiz.

Isso é mais que o BPC para criança pobre e com deficiência que é de um salário mínimo, desde que a família seja comprovadamente pobre, considerando aquela linha de R$ 800 do CadÚnico.

Quer ver outra coisa doida? A criança no Bolsa Família, depois que não é mais bebê, pode receber R$ 50 por mês até completar 18 anos. Para a criança do juiz do Rio, que recebe os R$ 1,8 mil, o auxílio escola pode ir até os 24 anos.

Então, o filho do Bolsa Família não é nem de longe o que mais recebe, tem muita desigualdade no orçamento público também. E o filho do juiz carioca é o nosso campeão de hoje. E aí, você já sabia que auxílio para criança no Brasil está longe de ser só para os mais pobres?

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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