Economia Verde: oportunidades e desafios do Brasil em mundo que busca reduzir emissões
A descarbonização da economia global abre um leque de oportunidades para o Brasil, mas o País tem desafios a superar. Crédito: Estadão
Com previsão para ocorrer até junho, o leilão de bateria é um leilão de reserva de capacidade, ou seja, feito para garantir que haja energia suficiente em momentos excepcionais, como quando há picos de demanda. Além do certame de baterias, leilões de térmicas e de hidrelétricas também podem ser de reserva de capacidade.
Esse tipo de leilão funciona como um seguro compulsório em que o governo contrata companhias para reduzir o risco de apagões. Com o aumento da energia gerada por usinas eólicas e solares, o leilão de reserva de capacidade se tornou mais necessário, dado que essas fontes são intermitentes.
As baterias serão, por exemplo, usadas para armazenar energia gerada por usinas solares durante o dia. Elas poderão colocar essa energia no sistema no horário de pico de demanda, entre 18h e 21h, após o pôr do sol. Usinas termelétricas e hidrelétricas também podem ser ligadas para gerar energia nesses horários de pico.
Segundo o superintendente de pesquisa da FGV Energia, Felipe Gonçalves, as baterias são uma boa saída para esses momentos de variação de demanda porque podem aumentar a oferta de energia em segundos, de forma mais rápida do que as hidrelétricas e as térmicas. Outra vantagem das baterias é que elas são mais fáceis de instalar, podendo ser colocadas em locais-chaves para atender gargalos da rede. “Em vários pontos do País, é mais fácil colocar a bateria do que uma usina térmica. O custo de infraestrutura também é menor.”

Parque eólico e solar em Pernambuco; com leilão, baterias deverão ser usadas para armazenar energia gerada por usinas de renováveis
Gonçalves pondera, porém, que a bateria ainda não é a solução mais barata. As hidrelétricas, cujo custo de instalação pode ser diluído por até 50 anos de operação, são uma opção mais acessível. Já entre a bateria e a termelétrica, a competição é mais equilibrada, de acordo com Gonçalves.
“É até por isso (pelo fato de não ser a solução mais barata) que haverá um leilão específico para baterias. É uma estratégia de planejamento para estimular a expansão da tecnologia. Em um primeiro momento, você dá uma fatia do mercado a determinada solução. Quando essa solução ganha competitividade, é possível fazer um leilão em que as diferentes fontes energéticas competem entre si.”
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indica que o País precisará de 55 GW de potência adicional até 2034. As baterias poderiam ser responsáveis por 9 GW, ou 16% do total, de acordo com cálculos da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae).
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







