Os investidores mundo afora vão prender a respiração à espera dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 da Nvidia, a gigante americana de chips que virou a referência no desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Cada balanço trimestral da Nvidia tem sido o evento mais aguardado dos últimos anos, mas o que será divulgado nesta quarta-feira, 25, está sendo considerado o grande teste para as empresas de tecnologia em 2026, pois antes a euforia e o otimismo com o setor viraram ansiedade e ceticismo.

O desempenho das ações das chamadas Sete Magníficas no ano tem sido decepcionante, se comparado com os ganhos registrados desde 2023. Até a semana passada, a Microsoft acumulava perda de quase 18% em 2026, enquanto a Amazon caía quase 9% e a Apple recuava quase 3%.

Já a ação da Nvidia se saiu melhor no período, com alta acumulada de 1,78%. Mas é um ganho tímido comparado com a valorização de 38,8% em ação em 2025 e da espetacular alta de 171,2% em 2024. A Nvidia se tornou a companhia com o maior valor de mercado do planeta, ao redor de US$ 4,5 trilhões.

Como os mercados estão tão interconectados, a redução na alocação dos investidores no setor de tecnologia vem beneficiando outros ativos, como moedas e ações de países emergentes, além do ouro, da prata e de outros metais.

Logo, o balanço trimestral da Nvidia, não somente o resultado financeiro, como também as estimativas para os trimestres seguintes, afetará o humor do mercado para além das ações de tecnologia.

Os analistas já estão acostumados com números finais superando as estimativas do balanço da Nvidia — e para o quarto trimestre de 2025 não será diferente. Mas a ansiedade é para a sinalização do setor como um todo em 2026.

Isso porque os investidores começaram a ficar desconfortáveis com os níveis de gastos para desenvolver a IA. Agora, querem ver o retorno em termos de lucratividade.

Para 2026, os projetos anunciados envolvem gastos ao redor de US$ 630 bilhões. Até 2025, nos cálculos do banco ING, as gigantes do setor haviam desembolsado quase US$ 2 trilhões na corrida da IA.

O foco está nos “hyperscalers”, como Meta, Amazon, Microsoft e Alphabet: empresas que operam “data centers”, oferecendo infraestrutura em grande escala para a expansão da IA.

O temor é de que essas empresas acabem se endividando demasiadamente para financiar esses gastos. A demanda pelos chips e outros produtos da Nvidia vem delas.

Em tempo: os analistas esperam um aumento de 70% no lucro por ação e de 67% nas receitas da Nvidia no quarto trimestre ante igual período de 2024.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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