Mora em condomínio e tem carro elétrico? Entenda novas regras para carregadores em São Paulo

Crédito: Malu Mões/Estadão

Em 2018, quando Donald Trump começou a ameaçar o sistema de comércio global, o maior mercado automobilístico do mundo entrou em retração. Após décadas de crescimento ininterrupto, as vendas de carros na China começaram a declinar à medida que sua economia estagnava. As montadoras estrangeiras, que então controlavam cerca de três quintos do mercado, foram duramente atingidas.

Agora, as previsões indicam que o mercado automobilístico chinês voltará a regredir. As montadoras locais, que dominam o mercado atualmente graças à expertise em veículos elétricos (VEs), podem ser as mais afetadas desta vez. Mesmo assim, as montadoras estrangeiras não escaparão, já que as concorrentes chinesas aceleram sua expansão no exterior.

A dimensão da atual reversão na China ainda é incerta, mas o sinal de alerta está aceso. Após retomar o crescimento em 2021, as vendas anuais de automóveis atingiram 23,8 milhões no ano passado, cerca de 4% a mais do que em 2024, segundo a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA), uma entidade comercial apoiada pelo governo.

Contudo, no último trimestre, as vendas caíram todos os meses em comparação com o ano anterior. A sempre otimista CPCA acredita que as vendas permanecerão estáveis ​​este ano, mas outros são muito mais pessimistas. A corretora Bernstein prevê uma queda de 5% a 9%.

Há outros sinais de problemas. No mês passado, a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, outra associação comercial apoiada pelo Estado, parece ter adiado a publicação de seus dados semanais de vendas — um sinal claro da crescente preocupação com a queda nos números. Além disso, após anos de crescimento expressivo, até mesmo as vendas de veículos elétricos podem sofrer uma queda este ano, segundo a Gavekal, uma empresa de pesquisa.

A queda tem várias causas. Uma delas, segundo a Gavekal, é que as compras de veículos elétricos por empresas e órgãos governamentais perderam força após um aumento repentino iniciado no final de 2024, quando foi introduzido um subsídio para o descarte de carros mais antigos, antecipando as vendas. A redução dos subsídios este ano afetará a demanda, assim como a imposição de um novo imposto de compra de 5% a 10% sobre veículos elétricos.

O setor também sofrerá com as restrições mais rígidas que impedem as concessionárias de registrarem carros novos por conta própria, a fim de aumentar seus números de vendas, e depois exportá-los como veículos usados ​​com “quilometragem zero”.

Com o mercado automobilístico chinês em retração, a longa guerra de preços, alimentada pelo excesso de capacidade produtiva, só tende a se intensificar. Isso explica a mais recente iniciativa do governo para conter os descontos. Em 12 de fevereiro, o órgão antitruste chinês publicou normas que proíbem a venda de carros por preços inferiores ao custo de produção.

Não há clareza sobre o grau de rigor na aplicação da medida. Além disso, tentativas menos formais de conter a guerra de preços já fracassaram no passado. Executivos de montadoras estrangeiras, cuja participação de mercado combinada caiu pela metade desde 2018, afirmam esperar que a iniciativa seja bem-sucedida. Elas não conseguem competir com as rivais chinesas em preço.

Infelizmente para as montadoras de fora da China, a desaceleração do mercado interno levará a um aumento ainda maior das exportações de veículos do país, afirma Tu Le, da consultoria Sino Auto Insights. Essas exportações aumentaram consideravelmente nos últimos anos, à medida que as montadoras chinesas buscavam mercados mais lucrativos no exterior.

A Bernstein prevê uma expansão adicional de 10% a 15% em 2026, atingindo um total de 6,5 milhões a 7 milhões de veículos, em comparação com cerca de 750 mil em 2018. Isso aumentará ainda mais a pressão sobre as montadoras tradicionais em outros países, muitas das quais foram recentemente afetadas por grandes baixas contábeis em investimentos em veículos elétricos, que visavam ajudá-las a acompanhar as concorrentes chinesas.

Por ora, permanece incerto por quanto tempo o mercado automobilístico chinês permanecerá estagnado. Mesmo assim, essa reversão é mais um lembrete para as montadoras do mundo todo de que o que acontece no país influencia a indústria em todos os lugares.

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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