Futuro sustentável pede mais conexões entre meio ambiente, urbanismo e mobilidade

Planos integrados podem gerar maiores impactos; crise hídrica preocupa. Crédito: Larissa Burchard (edição de vídeo)

De carona no bom momento do mercado de motocicletas que pela primeira vez ultrapassou o de automóveis zero-quilômetro em número de unidades emplacadas no ano passado, a Shineray do Brasil, licenciada da fabricante chinesa do mesmo nome, pretende se tornar uma marca de motocicletas com presença em todas as regiões do País.

No ano passado, a empresa que desde 2005 importa motos da China e começou a montá-las em sua fábrica em Suape, Pernambuco, em 2015, respondeu pelo emplacamento de 130,6 mil unidades.

Com isso, a marca ficou com quase 6% do mercado, atrás da líder absoluta, a Honda (66,8%), e da Yamaha (14,2%), segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Wendel Lazko, gerente geral de negócios da Shineray do Brasil, tem um plano ousado para os próximos anos. A meta é que a marca conquiste entre 10% e 12% do mercado até 2030, com a venda 600 mil motocicletas. Em 2025, a empresa faturou R$ 1,971 bilhão e empregou 500 pessoas.

Desde a estreia no País, o foco da companhia sempre foi o mercado de motos de baixa cilindrada, voltadas para as camadas de menor renda que usam transporte público para se locomover.

Com preços que chegam a ficar abaixo dos R$ 10 mil, foi assim que a marca conquistou o mercado, especialmente a região Nordeste, onde está sua fábrica. É a única marca com planta fora da Zona Franca De Manaus (AM).

Na onda do delivery

Nos últimos tempos, observa Lazko, com a forte expansão dos aplicativos de transporte que atraem brasileiros de baixa renda interessados em trabalhar por conta própria, a companhia enxergou um grande potencial para a venda de motocicletas. “O mercado de motos é um diamante bruto”, compara o executivo.

Dados da Fenabrave mostram que, em 2025, foram emplacadas no País 2,197 milhões de motocicletas. Foi um volume 17% maior que o ano anterior e um recorde da série histórica iniciada em 2003.

Também pela primeira vez na série, foram emplacadas no ano passado mais motos do que automóveis (1,996 milhão).

“Trata-se de uma expansão estrutural, impulsionada pelo uso profissional para entregas, uso pessoal para transporte individual e também como segundo veículo das famílias”, diz Arcelino Junior, presidente da Fenabrave

Para este ano, a entidade projeta crescimento de 10% no número de motocicletas emplacadas, que deve atingir 2,4 milhões de unidades.

O segmento continuará sendo beneficiado pelos serviços de entregas e pela opção de transporte individual, prevê o presidente da Fenabrave. Lazko calcula que o mercado de motos cresça mais 40% até 2035.

É exatamente para abocanhar uma fatia maior desse filão que a Shineray está se organizando. Investiu R$ 77 milhões na fábrica de Suape e quer fortalecer a atuação em motos elétricas e flex.

Lazko, egresso da Honda, chegou à empresa em 2022 com a meta de estruturar a expansão. Na época, a marca não tinha concessionárias, emplacava 2 mil motos por ano e respondia por 1,2% do mercado.

Fechou o ano passado com 438 revendas, sendo mais da metade (62%) nas regiões Norte e Nordeste. Atualmente são 453 e a meta é abrir 200 concessionárias este ano.

O executivo argumenta que a virada de chave da marca num mercado dominado pelas japonesas foi a profissionalização. Isto é, abertura de concessionárias com a prestação de serviços de assistência técnica. Na época em que assumiu a liderança na empresa, esse ponto foi identificado como uma fragilidade da marca.

Lazko diz que o alvo da empresa para turbinar a expansão das concessionárias pelo País são cidades com mais de 10 mil habitantes, com forte presença da população de menor renda, da classe B para baixo, que é o público alvo das motos de baixa cilindrada.

Além da pulverização das revendas pelo País em cidades menores, faz parte dos planos da companhia a abertura de lojas modelo nas capitais para fortalecer a marca. A primeira será inaugurada no primeiro semestre deste ano em São Paulo. “Cada capital vai ter uma loja modelo”, diz.

Obstáculo

Os planos de expansão da companhia, porém, podem ser afetados por uma disputa judicial. A Shineray é acusada de produzir e vender motos com irregularidades técnicas que colocariam em sério risco a saúde dos usuários, a segurança no trânsito e o equilíbrio ambiental, conforme reportagem do Jornal do Carro.

A investigação foi motivada por representação da Abraciclo, associação das fabricantes de motocicletas no País. A entidade aponta que os produtos feitos e vendidos pela Shineray circulam sem componentes essenciais para controle de emissões e segurança.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), oficializou Averiguação Preliminar fundamentada pelo Código de Defesa do Consumidor.

Procurada pela reportagem do Jornal do Carro, a Shineray preferiu não se manifestar acerca do tema. Mas reforçou, em nota, que seus produtos “seguem rigorosamente os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando plenamente regulares”.

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) notificou formalmente a Shineray para que apresentasse esclarecimentos em um prazo de 20 dias corridos.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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