BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A investigação da Polícia Federal que teve como principal alvo a Refit, de Ricardo Magro, encontrou pagamento de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo à refinaria a uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

O documento aponta que a transferência foi feita pelo fundo Athena, ligado à Refit, à Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda. em 2024.

O senador não é um dos sócios dessa empresa atualmente, e ela pertence a familiares. À época da transferência, ele afirma que tinha menos de 1% da participação.

A transação foi informada pela Polícia Federal ao STF (Supremo Tribunal Federal) em representação que fundamentou a Operação Sem Refino, deflagrada na sexta-feira (15).

Ciro não foi alvo da ação policial, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que fez busca e apreensão em endereços do ex-governador do Rio Cláudio Castro e pediu a inclusão de Magro na lista vermelha da Interpol.

A representação policial que cita Ciro, que está sob sigilo, foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e obtida pela Folha.

Procurado, o senador afirmou por meio de sua assessoria que “lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal”.

Afirma que, em relação ao caso em questão, o pagamento serviu para a aquisição de um terreno com área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis.

O valor, diz ele, “se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado”.

Ele também afirma que a empresa atua no ramo imobiliário e que, atualmente, ele não tem participação na empresa.

Ciro é o presidente nacional do PP e foi ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro. Já Magro é dono da Refit (Refinaria de Manguinhos), investigada nas operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono, deflagradas no ano passado contra sonegação de impostos na importação da gasolina e fornecimento de combustíveis para postos de gasolina do PCC.

Um dos alvos de busca e apreensão na operação do dia 15 foi Jonathas Assunção, que foi secretário-executivo da Casa Civil na gestão de Ciro Nogueira. Ele recebeu R$ 1,3 milhão ligados à Refit.

Segundo a representação, “os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, cerca de R$ 1.325.000,00”. As transferências teriam ocorrido em 2025.

“Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento, estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos valores recebidos”, diz a PF.

No último dia 7, Ciro foi alvo de busca e apreensão ligado a outra operação, a Compliance Zero, sobre irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Uma das suspeitas é de que o senador recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco. Além disso, de acordo com as investigações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho. Também nesse caso, Ciro Nogueira nega ter cometido irregularidades.

Quando a operação da última sexta foi deflagrada, Cláudio Castro disse que está à disposição da Justiça e “convicto de sua lisura”.

“Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do Estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes”, disse, em nota, o governador.

A Refit e Magro, também em nota, negam ter falsificado declarações fiscais para ter vantagens fiscais ou ter fornecido combustível para o crime organizado. A Refit ainda disse em nota nesta segunda (18) que é falso afirmar que Ricardo Magro controla a companhia e que ele sequer faz parte do quadro de acionistas.

A declaração, porém, contradiz o próprio Magro, que em setembro de 2025, após a Operação Carbono Oculto, deu entrevista à Folha de S.Paulo defendendo a atuação da Refit -na primeira pessoa do plural- e se dizendo perseguido por grandes distribuidoras de combustíveis.

No relatório que baseou a Operação Sem Refino, a Polícia Federal sustenta que Magro usa “offshores em jurisdições marcadas por sigilo societário e tributação favorecida, bem como de trusts administrados por estruturas especializadas em proteção patrimonial”.

Leia Também: PGR continuará a negociar delação de Vorcaro após rejeição da PF

Fonte: Notícias ao Minuto Brasil – Política

You May Also Like
Tadeu Alencar deixa cargo de ministro do Empreendedorismo e aponta 'tensões indesejadas' no PSB

Tadeu Alencar deixa cargo de ministro do Empreendedorismo após 18 dias e aponta tensões indesejadas no PSB

Despedida inesperada de Tadeu Alencar do Ministério do Empreendedorismo gera debate sobre indicação partidária e unidade governamental
André Mendonça quebra sigilos de Lulinha a pedido da Polícia Federal

Quebra de sigilo de Lulinha não revela ilegalidade e nem ligação com INSS

Após grande histeria alimentada por fake news de opositores do presidente Lula,…
Cunhado de Tarcísio perde cargo na Alesp após troca de deputados

Cunhado de Tarcísio perde cargo na Alesp após troca de deputados e gera debate sobre nepotismo na política paulista

Entenda como a saída de Maurício Pozzobon Martins do gabinete da Assembleia Legislativa de São Paulo reflete as regras de desincompatibilização e as críticas de oposição
André Mendonça quebra sigilos de Lulinha a pedido da Polícia Federal

André Mendonça quebra sigilos de Lulinha a pedido da Polícia Federal

BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A pedido da Polícia…