A política brasileira apresenta contornos curiosos que desafiam as divisões tradicionais entre esquerda e direita, conforme mostram dados recentes sobre o comportamento do eleitorado nacional.

Um estudo detalhado aponta que muitos cidadãos apoiam candidatos cujas pautas principais nem sempre coincidem com suas crenças pessoais sobre economia e costumes sociais.

Esse fenômeno fica evidente na nova matriz ideológica do Datafolha, que mapeou as reais inclinações de quem vota nos principais nomes da política atual, conforme divulgado pelo Notícias ao Minuto.

Surpresas na matriz ideológica do Datafolha e o perfil dos eleitores

A matriz ideológica do Datafolha mostra que parte dos eleitores declarados de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) é classificada em campos diferentes daqueles associados aos candidatos.

Entre os que diziam votar no petista no último levantamento do instituto, realizado em junho, 24% apareciam à direita ou centro-direita. Entre os que declaravam voto em Flávio, 19% ficavam à esquerda ou centro-esquerda.

A classificação ideológica não é uma autodeclaração do eleitor. Ela é calculada pelo instituto a partir de respostas a perguntas sobre comportamento, valores sociais e economia nacional.

Contradições em temas como armas e leis trabalhistas

Um exemplo de aparente contradição é a parcela de 34% dos eleitores de Flávio que dizem acreditar que a posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas.

Esse posicionamento é contrário a uma das principais bandeiras do pré-candidato do PL. Por outro lado, 26% dos eleitores de Lula afirmam que as leis trabalhistas no Brasil mais atrapalham que ajudam.

Para esse grupo, a legislação dificulta o crescimento das empresas, enquanto o governo federal aposta na defesa do fim da escala 6×1 como um trunfo eleitoral para os próximos anos.

Consenso sobre punição de jovens e auxílio a empresas

Tanto eleitores de Lula (61%) quanto de Flávio (81%) em sua maioria dizem acreditar que adolescentes que cometem infrações devem ser punidos como adultos, revelando um ponto de convergência.

Sete a cada dez brasileiros em ambos os lados também afirmam que o governo tem dever de ajudar grandes empresas nacionais que corram o risco de ir à falência, segundo a pesquisa.

No eleitorado de Lula, a matriz ideológica do Datafolha aponta que 24% estão na esquerda, 36% na centro-esquerda, 16% no centro, 19% na centro-direita e 5% no espectro da direita.

Como o levantamento define o posicionamento político

A matriz calculada pelo instituto reúne 16 perguntas. Dez delas formam a escala de comportamento, com temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, crença em Deus e sindicatos.

Outras seis questões formam a escala de pensamento econômico, com temas sobre impostos, papel do governo na economia, benefícios públicos, leis trabalhistas e investimentos gerais.

Na escala geral, comportamento e economia têm o mesmo peso, de 50% cada um. A partir da pontuação, os entrevistados são divididos em cinco faixas que vão da esquerda até a direita.

A fonte original é a Notícias ao Minuto Brasil.

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