A Polícia Federal avançou nas investigações que envolvem o deputado federal Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro. A nova fase da operação foca em inconsistências financeiras graves encontradas em seus relatos.

O parlamentar tentou justificar a posse de R$ 468 mil em espécie, encontrados em sua residência no final do ano passado, como sendo fruto da venda de uma propriedade. No entanto, a PF afirma que o negócio não possui lastro bancário.

Novos mandados de busca e apreensão foram cumpridos, revelando detalhes sobre a origem do dinheiro e movimentações atípicas de pessoas ligadas ao líder do PL, conforme divulgado pelo Notícias ao Minuto.

PF aponta falta de comprovação financeira em venda de imóvel ligada a Sóstenes Cavalcante

Escritura registrada após a apreensão levanta suspeitas

De acordo com a investigação, a transação imobiliária usada por Sóstenes Cavalcante para justificar o montante só foi oficializada em cartório quase duas semanas após a ação policial que apreendeu o dinheiro vivo.

A PF destacou que a escritura faz referência a um ajuste antigo, mas o registro ocorreu apenas após a apreensão, sugerindo uma narrativa documental para conferir legalidade a algo que não possuía comprovação real.

Os investigadores afirmam que os interessados levaram o documento ao cartório com o objetivo de criar um lastro formal, tentando validar uma transação que, segundo os relatórios técnicos, apresenta diversas falhas graves.

Movimentações financeiras incompatíveis e livros falsos

O Coaf emitiu relatórios apontando que não foram identificados saques contemporâneos à data da compra por parte do advogado Thiago de Paula, suposto comprador do imóvel e um dos principais alvos desta nova etapa.

A análise revelou que o total movimentado a crédito representa cerca de 17,76 vezes o valor da renda cadastrada de Thiago. O valor superou em aproximadamente R$ 608.754,30 a capacidade declarada do titular da conta bancária.

Durante as buscas, a polícia encontrou dinheiro em espécie escondido dentro de livros falsos na residência de alvos no Distrito Federal. Além disso, foram apreendidos relógios de luxo, celulares e diversos computadores.

O esquema das cotas parlamentares e a Operação Rent a Car

Esta nova ofensiva é a terceira fase da Operação Rent a Car, que apura o desvio de recursos públicos das cotas parlamentares. A suspeita é de que empresas de fachada recebiam verbas de deputados para locação de veículos.

A cota parlamentar é um recurso mensal destinado a custear gastos do mandato, como passagens e aluguel de escritórios. A PF investiga se empresas dissolvidas continuavam recebendo esses valores ilegalmente através dos parlamentares.

Sóstenes Cavalcante alegou anteriormente que é alvo de perseguição política, mas a Polícia Federal segue aprofundando as apurações sobre crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.

A fonte original desta notícia é o Notícias ao Minuto Brasil – Política.

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