A conexão entre o fundo Gold Style e o banco paralelo do crime organizado
O mercado financeiro brasileiro está sob o holofote de uma investigação complexa que conecta setores aparentemente opostos. Um único fundo de investimento, o Gold Style, teria sido utilizado para transações com uma fintech ligada ao PCC e uma empresa financiadora de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Os relatórios de inteligência financeira do Coaf revelam uma teia de movimentações bilionárias que envolvem ocultação de beneficiários e camadas complexas de rastreamento. As suspeitas recaem sobre a administração da Reag Trust e a relação com o Banco Master.
Entre os registros, chamam a atenção os repasses feitos para a produção do documentário Dark Horse, que conta com a participação de filhos do ex-presidente. Os dados detalhados trazem à tona irregularidades graves, conforme divulgado pela Folha de S.Paulo.
Do financiamento de cinema ao esquema do PCC
O Gold Style Fundo de Investimento teria movimentado cerca de R$ 133,6 milhões com o BK Bank em 2023. Essa fintech é alvo da Operação Carbono Oculto, sendo apontada pela Polícia Federal como um braço financeiro utilizado pela facção criminosa para lavar dinheiro.
Paralelamente, o fundo registrou transações de R$ 20 milhões com a Entre Investimentos. Essa empresa teria sido o canal utilizado para repassar verbas ao filme Dark Horse, projeto sobre a trajetória de Jair Bolsonaro que teve o apoio direto de seus filhos, Flávio e Eduardo Bolsonaro.
Segundo as investigações, essas operações serviram para dificultar o rastreamento dos reais beneficiários do dinheiro. O uso de contas-bolsão e camadas estruturadas de depósitos permitia que grupos criminosos movimentassem recursos sem a devida transparência exigida pelos órgãos reguladores.
O salto bilionário do patrimônio sob suspeita
Constituído em 2020 com um aporte inicial de R$ 480,1 milhões, o Gold Style apresentou um crescimento explosivo em curto prazo. Em maio de 2024, seu patrimônio líquido saltou para expressivos R$ 1,84 bilhão, mesmo em meio a investigações de fraude em carteiras de crédito.
O fundo é administrado pela Reag Trust, gestora que foi liquidada pelo Banco Central no início deste ano. A instituição é citada em inquéritos que apuram uma ciranda financeira organizada para inflar ativos e mascarar a real saúde financeira de instituições ligadas ao Banco Master.
Devido à natureza desse tipo de investimento, não é possível identificar com facilidade quem são os donos e beneficiários finais. Essa opacidade, segundo a Polícia Federal, foi fundamental para a expansão artificial de ativos e para a prática de crimes financeiros no mercado de capitais.
Debêntures sigilosas e a rede do Banco Master
Além das ligações políticas e criminais, o fundo participou de movimentações de debêntures privadas que somam R$ 3,6 bilhões. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, comunicou ao Coaf indícios de irregularidades nessas emissões, que apresentavam padrões atípicos de valores e datas.
Essas transações envolveram bancos como o Master, o Pleno e o Digimais. O relatório financeiro aponta que contratos foram liquidados com valor zero e que havia discrepâncias de preços significativas, o que levanta suspeitas sobre a legitimidade das operações realizadas entre os fundos.
Até o momento, a Reag Trust e a defesa de envolvidos como Daniel Vorcaro não quiseram comentar os detalhes das investigações. O cenário expõe a fragilidade de controle em certos nichos do sistema financeiro, onde bilhões circulam entre interesses políticos e o crime organizado.
A fonte original desta notícia é o portal Notícias ao Minuto Brasil, que reproduziu a reportagem investigativa da Folha de S.Paulo, disponível em: Notícias ao Minuto Brasil – Política.








