O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta terça‑feira (14) que não existe fundamento jurídico para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado indique ministros da Corte por crime de responsabilidade. A afirmação veio após o relatório final da CPI, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB‑SE), apontar indiciamentos contra os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o próprio Gilmar Mendes, além do procurador‑geral da República, Paulo Gonet.

Segundo a CPI, os indiciamentos se baseiam em supostos atos como “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa” e “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”, tendo como pano de fundo o caso do Banco Master, que ainda tramita no STF. O documento de 221 páginas ainda aguarda aprovação em sessão marcada para a mesma data. (fonte: Notícias ao Minuto Brasil – Política)

Ministro Gilmar Mendes critica a legalidade do pedido da CPI

Ao divulgar sua posição nas redes sociais, Gilmar Mendes questionou a validade do relatório e o papel das CPIs. “O pedido do relator da CPI do Crime Organizado, voltado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, nos leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs”, afirmou. O ministro alertou que o texto “flerta com a arbitrariedade” ao tentar criminalizar a concessão de habeas corpus contra abusos de poder.

Indiciamento é atribuição exclusiva de delegado

Gilmar Mendes ressaltou que “é elementar, até mesmo para um estudante de Direito, que o indiciamento constitui ato privativo de delegado de polícia e não se aplica a crimes de responsabilidade”. Ele apontou que tais crimes são regidos pela Lei de Impeachment (Lei 1.079/1950), que confere ao Senado – por meio da Mesa Diretora, Comissão Especial e Plenário – a competência exclusiva para processar e julgar esses casos, sem previsão de atuação de CPIs.

Cortina de fumaça segundo o ministro

O decano do Supremo avaliou que o relatório final da CPI funciona como “cortina de fumaça”, desviando o foco da investigação original sobre policiais ligados a milícias. “O relatório revela verdadeira cortina de fumaça, ao deixar de enfrentar o grave problema a que se propôs e ao dedicar‑se a engrossar a espuma midiática contra o STF, na expectativa de produzir dividendos eleitorais para certos atores políticos”, escreveu Gilmar Mendes.

Flávio Dino defende o STF

O ministro Flávio Dino, que não foi incluído no indiciamento, também se manifestou. Ele classificou como “imenso erro” colocar o Supremo como o maior problema nacional e destacou que o relatório não menciona ninguém efetivamente ligado ao crime organizado. Dino enfatizou que o STF tem tomado decisões firmes contra milicianos, traficantes, armas ilegais e facções criminosas, considerando irresponsável a abordagem da CPI.

A fonte original da matéria é Notícias ao Minuto Brasil – Política.

You May Also Like
Zema relativiza ditadura militar e promete indulto a Bolsonaro

Romeu Zema confirma que levará sua pré-candidatura até o fim, rejeita vice de Flávio Bolsonaro e anuncia proposta de reforma do STF

Preocupado com pesquisas baixas, o ex-governador do Novo reforça postura anti-nepotismo e detalha medidas de mudança no Supremo e na economia
Flávio afirma que Pix é do Bolsonaro apesar de ex-presidente ter dito desconhecer a medida em 2020

Flávio Bolsonaro lidera rejeição em nova pesquisa presidencial: veja quem aparece logo atrás!

Levantamento BTG/Nexus mostra empate técnico entre o senador e o presidente Lula na desaprovação popular.
Fux altera regras de eleição indireta no RJ e atinge pré-candidatos a mandato-tampão

Fux altera regras de eleição indireta no RJ e atinge pré-candidatos a mandato-tampão

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O estado de São Paulo confirmou no…
Magno Malta registra boletim de ocorrência contra técnica de enfermagem após acusação

Senador Magno Malta registra boletim de ocorrência após ser acusado de agredir técnica de enfermagem em hospital de Brasília durante procedimento

Político nega ter desferido tapa contra profissional de saúde e alega ter sofrido negligência durante exame médico realizado no DF Star